Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na zona norte de São Paulo, passou por uma nova cirurgia de amputação. A informação foi divulgada pela mãe, Lúcia Aparecida, em publicação nas redes sociais. O procedimento foi realizado na segunda-feira (22) e incluiu uma nova amputação na região da coxa, necessária para a reconstrução dos glúteos.
Segundo a família, Tainara também foi submetida a uma traqueostomia para retirada do tubo respiratório e uma cirurgia plástica de reparação.
"De todas as cirurgias que ela já fez, essa será a mais desafiadora para os médicos", disse a mãe. O estado de saúde de Tainara permanece instável.
O atropelamento aconteceu em 29 de novembro. A mulher foi socorrida por testemunhas e encaminhada ao hospital em estado grave. Em decorrência dos ferimentos, ela teve que amputar as duas pernas.
Douglas Alves da Silva, cearense de 26 anos, apontado pela Polícia Civil como responsável pelo crime, tornou-se virou réu por tentativa de homicídio e feminicídio. De acordo com as investigações e com advogados que acompanham o caso, ele teria mantido um relacionamento anterior com a vítima e, ao vê-la com outro homem em um bar, avançou com o veículo contra ela. A defesa tem afirmado que ele é réu confesso, mas nega envolvimento com Tainara.
Relembre o caso
O crime ocorreu no dia 29 de novembro, motivado por ciúmes durante discussão em um bar na Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, na Vila Maria, e foi flagrado por câmeras de segurança e motoristas que registraram vídeos do veículo Volkswagen Polo preto arrastando a vítima desacordada.
Investigadores da Polícia Civil usaram sistemas de inteligência para rastrear Douglas até o Hotel Rebeka, em Vila Prudente, zona leste da capital paulista. Ao ser abordado por equipes do 5º Batalhão da PM Metropolitana, o suspeito reagiu, tentou pegar a arma de um policial e foi baleado no braço em legítima defesa, sendo socorrido ao Pronto-Socorro do Hospital Vila Alpina com estado de saúde estável. A prisão ocorreu no 13º Distrito Policial (Casa Verde), após ele ser considerado foragido.
Tainara, mãe de dois filhos, foi resgatada em estado gravíssimo e levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, onde passou por cirurgias de emergência e teve as duas pernas amputadas devido aos ferimentos graves causados pelo atropelamento e arrastamento. Inicialmente registrado como atropelamento comum, o caso foi reclassificado como tentativa de feminicídio no 73º Distrito Policial (Jaçanã) após depoimento de uma amiga da vítima confirmar a intencionalidade.
O indivíduo pode ser enquadrado legalmente em tentativa de feminicídio, um crime previsto no Código Penal brasileiro. O feminicídio é caracterizado como homicídio qualificado cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, especialmente em contexto de violência doméstica ou familiar, ou por menosprezo à condição de mulher da vítima. A Lei nº 13.104/2015 incluiu o feminicídio no rol dos crimes hediondos, com penas que variam de 12 a 30 anos, podendo chegar a 40 anos conforme agravantes.
No caso de tentativa, como no atropelamento e arrastamento com intenção de matar, a legislação prevê penas correspondentes, além de medidas específicas como proibição de progressão de regime e perda de direitos familiares. A Lei Maria da Penha complementa, definindo violência doméstica como qualquer ação que cause lesão física, psicológica ou sexual no âmbito de relações íntimas de afeto, o que inclui namoros e ex-relacionamentos. Esse enquadramento busca garantir maior rigor punitivo e proteção às mulheres vítimas de violência por motivo de gênero.




