Uma empresária foi morta a facadas pelo ex-companheiro dentro de uma residência localizada na Rua São José, no Centro do município de Icó, no interior do Ceará, na tarde desta terça-feira (23). O crime é tratado pela polícia como feminicídio seguido de suicídio.
A vítima foi identificada como Maria Francely Rocha da Silva, conhecida como Lily Rocha, de 39 anos. Conforme as primeiras informações apuradas, ela foi atacada pelo ex-companheiro, de 47 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. Após cometer o crime, o homem tirou a própria vida. A identidade dele não foi divulgada pelas autoridades.
Equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foram acionadas para a ocorrência. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram os corpos do ex-casal. O caso está sob investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Icó.
Lily Rocha era empresária e proprietária de um restaurante de comida japonesa na cidade. O estabelecimento permaneceu fechado após a confirmação da morte.
Casos de feminicídio no Ceará
O Ceará contabilizou 42 casos de feminicídio em 2025, conforme dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp-CE), órgão vinculado à SSPDS. O levantamento considera ocorrências registradas entre 1º de janeiro e 30 de novembro deste ano. O número iguala o total registrado em todo o ano de 2023 e supera 2024, quando foram contabilizadas 41 vítimas.
Ao longo de 2025, os crimes apresentaram distribuição mensal relativamente constante, com destaque para o mês de junho, que concentrou 11 feminicídios. Julho e agosto registraram cinco casos cada. Janeiro teve três ocorrências, fevereiro contabilizou dois casos e setembro registrou uma vítima. Em outubro, foram cinco feminicídios, enquanto novembro teve dois registros até o momento.
Quanto ao perfil das vítimas, a maior concentração em 2025 está na faixa etária entre 24 e 29 anos, que representa 18,12% dos casos. Em seguida aparecem mulheres entre 36 e 41 anos (15,58%), 18 a 23 anos (15,22%) e 30 a 35 anos (14,49%). Mulheres com idades entre 42 e 47 anos correspondem a 13,77% das vítimas. Casos envolvendo crianças e adolescentes são minoria, mas ainda constam nas estatísticas oficiais.
A análise por dia da semana indica maior incidência de feminicídios aos domingos, com 20,65% dos registros, seguidos dos sábados, com 17,03%. Durante os dias úteis, os percentuais variam entre 11% e 13%, sendo a sexta-feira o dia com menor número de ocorrências.
Em relação ao horário, a maior parte dos crimes ocorreu durante a noite, que concentra 30,43% dos casos. A madrugada aparece em seguida, com 25%, enquanto manhã e tarde registram 23,91% e 20,65%, respectivamente.
Os dados reforçam a gravidade da violência letal contra mulheres no Ceará. Desde 2018, quando os registros de feminicídio passaram a ser sistematizados, o número anual de vítimas varia entre 27 e 42 casos, com 2023 e 2025 figurando entre os anos mais letais do período analisado.




