O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a Colômbia é um "vizinho doente" governado por Gustavo Petro, a quem acusou de fomentar produção de cocaína para o mercado americano, sem apresentar provas. A acusação se assemelha às falas feitas pelo norte-americano sobre a Venezuela, antes da invasão deste sábado (3).
Questionado sobre uma ação militar na Colômbia, Trump respondeu: "Haverá uma operação dos EUA e isso me parece bom", invocando uma "doutrina Don-Roe" como atualização da Doutrina Monroe para intervir no hemisfério.
O presidente Gustavo Petro rebateu nas redes sociais, negando ligações com narcotráfico e chamando as acusações de "calúnia": "Meu nome não aparece em arquivos judiciais, nem no passado nem no presente". Petro, que não pode se reeleger em maio, pediu união latino-americana contra as ameaças externas.
A declaração ocorre um dia após EUA bombardearem Caracas, sequestrando Nicolás Maduro e a esposa Cilia Flores, acusados pelo governo norte-americano de "narcoterrorismo", com Trump também mirando México e prevendo colapso de Cuba. Analistas veem risco de instabilidade.
Reunião da ONU
O Conselho de Segurança da ONU realiza nesta segunda-feira (5) uma reunião de emergência para discutir a invasão militar dos Estados Unidos na Venezuela. A sessão, iniciada às 12h (horário de Brasília) na sede em Nova York, responde a pedido urgente da Venezuela, endossado por Rússia, China e Colômbia. António Guterres, secretário-geral da ONU, classificou a ação como "grave violação da soberania", convocando cessar-fogo imediato e negociações multilaterais.
Rússia e China condenam a "agressão imperialista", ameaçando veto a resoluções pró-EUA; Brasil e Argentina pedem moderação, enquanto Cuba e Nicarágua mobilizam apoio militar. Protestos anti-Trump eclodem em capitais europeias e latino-americanas, com temores de escalada regional; Guterres alerta para crise humanitária iminente.
Analistas preveem paralisia no Conselho devido ao poder de veto dos países. A reunião pode definir sanções ou mediação, mas divisões entre membros permanentes complicam consenso.
Poder de veto
O poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) pode paralisar qualquer resolução substantiva sobre a invasão americana na Venezuela, mesmo com maioria de 9 votos favoráveis.
Para aprovação de medidas como condenação, sanções ou cessar-fogo, é exigido acordo unânime dos P5 (Artigo 27 da Carta da ONU); um único "não" bloqueia tudo, independentemente do apoio dos 10 membros rotativos. Na reunião de hoje (5), EUA provavelmente vetariam resoluções pró-Venezuela, enquanto Rússia e China fariam o inverso contra ações anti-Trump.
O veto já foi usado 256 vezes desde 1946, com EUA (83), Rússia/URSS (121) e China (5) liderando; abstenções não contam como bloqueio, mas criam impasse. No caso venezuelano, analistas preveem "debate estéril" sem ação vinculante, limitando-se a declarações do secretário-geral Guterres.
Invasão
Forças especiais dos EUA, incluindo a Delta Force, executaram ataques aéreos em múltiplos alvos na capital venezuelana durante a madrugada, com explosões reportadas em La Carlota e outros pontos, culminando no sequestro de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Trump confirmou a ação em postagens na rede Truth Social, afirmando que o casal foi evacuado por helicóptero para o navio USS Iwo Jima e transferido a Nova York por volta das 18h30.
O Departamento de Justiça americano indiciou Maduro por narcoterrorismo, importação de cocaína, posse de armas e explosivos, e conspiração contra os EUA, com julgamento previsto no Distrito Sul de Nova York. A procuradora-geral Pam Bondi declarou que o casal enfrentará "a força total da justiça americana". Analistas e representantes de diversos países – incluindo o Brasil – rechaçaram a operação, apontando desrespeito à soberania nacional da Venezuela.
O direito internacional não permite que um país prenda unilateralmente e julgue um líder político estrangeiro sem base em tratados, extradição ou autorização da ONU. A soberania estatal (Art. 2º da Carta da ONU) proíbe violações territoriais ou prisões sem consentimento, salvo exceções como autodefesa (Art. 51) ou mandados do TPI para crimes graves (genocídio, crimes contra humanidade). No caso de líderes, exige-se imunidade de jure ratione personae durante o mandato, só removível por decisão do TPI ou Conselho de Segurança.
Trump fala sobre futuro governo na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os EUA vão administrar a Venezuela de forma interina até que seja realizada uma transição considerada “adequada, justa e legal”. A declaração foi feita durante um pronunciamento oficial em que Trump detalhou a operação militar norte-americana deste sábado (3).
Segundo Trump, os EUA vão administrar a Venezuela temporariamente com o objetivo de conduzir o país a um novo processo político. “Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, afirmou durante o discurso.
O próprio Trump também divulgou, após a invasão, uma imagem de Maduro algemado e vendado. A foto foi publicada na rede social Truth Social e exibe um homem – que seria Maduro – vendado, usando óculos, vestindo um moletom e supostamente algemado, a bordo do navio USS Iwo Jima, da Marinha dos Estados Unidos.
De acordo com Trump, a captura de Maduro ocorreu durante a madrugada deste sábado e foi realizada pela Força Delta, unidade de elite do Exército americano especializada em operações de alto risco. O presidente norte-americano afirmou que a ação fez parte de uma operação militar planejada contra a Venezuela, cujo objetivo principal seria a detenção do líder venezuelano.
Julgamento
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a esposa, Cilia Flores, serão julgados pela Justiça dos EUA em um tribunal de Nova York, informou neste sábado (3) a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi. Segundo o Departamento de Justiça, o casal foi formalmente denunciado no Distrito Sul de Nova York por uma série de crimes federais, incluindo conspiração para narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.
De acordo com a procuradora-geral, o processo marca uma nova etapa no julgamento de Maduro, que agora passará a tramitar em solo americano. “Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados no Distrito Sul de Nova York”, declarou Pam Bondi em comunicado oficial. A procuradora afirmou que ambos responderão às acusações perante a Justiça dos EUA, em audiências que ocorrerão em tribunais federais.
Entre as acusações listadas pela Procuradoria-geral estão conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína para os Estados Unidos, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse desses armamentos contra interesses norte-americanos. Segundo Bondi, os crimes atribuídos ao casal configuram ameaças diretas à segurança nacional dos Estados Unidos, o que motivou a abertura do processo no tribunal de Nova York.
Entenda
O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela neste fim de semana marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.
Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.
O governo de Donald Trump estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem Maduro à prisão.
Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos - como China e Rússia - além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.
Com informações da Agência Brasil




