Eva Schloss, sobrevivente do Holocausto, meia-irmã de Anne Frank e incansável defensora da memória de sobreviventes do nazismo, morreu aos 96 anos em Londres no sábado (3).
A austríaca Eva Geiringer, fotógrafa e escritora, presidia honorariamente a Anne Frank Trust UK, viajando o mundo em palestras para educar gerações sobre os horrores de Auschwitz e combater antissemitismo. A organização lamentou a perda de sua "voz poderosa pela tolerância", enquanto o rei Charles III e a rainha Camilla prestaram homenagens, chamando-a de "testemunha luminosa da humanidade".
Nascida em Viena em 11 de maio de 1929, Eva fugiu do nazismo com a família judaica para a Holanda em 1938, morando a poucos metros dos Frank em Amsterdã, onde cultivou amizade com Anne, de mesma idade. Presa pela Gestapo em maio de 1944 aos 15 anos, foi deportada com pais e irmão para Auschwitz-Birkenau; liberada pelos soviéticos em 1945, sobreviveu apenas com a mãe Elfriede, enquanto pai e irmão Michael sucumbiram.
Casada com o sobrevivente Zvi Schloss, teve três filhas e construiu carreira como fotógrafa em Londres, recuperando a cidadania austríaca em 2021. Sua mãe desposou Otto Frank em 1953, unindo as famílias.
Eva publicou memórias como "Eva's Story" (1988) e cofundou a Trust em 1990, alertando para práticas de ódio em visitas a escolas. Homenageada com a Ordem do Império Britânico (MBE) em 2013, sua família pede que o testemunho de esperança de Eva perdure contra extremismos.
Quem foi Anne Frank?
Anne Frank foi uma adolescente judia alemã, símbolo do Holocausto, cuja vida escondida e diário se tornaram testemunho icônico do nazismo. Nascida Annelies Marie Frank em 12 de junho de 1929 em Frankfurt, fugiu com a família para Amsterdã em 1933 devido à ascensão de Hitler.
Em 1942, Otto, Edith e as filhas Anne (13 anos) e Margot se esconderam no "Anexo Secreto" de um prédio anexo à empresa do pai, onde Anne escreveu seu diário "Kitty" por dois anos, registrando medos, esperanças e o confinamento sob ocupação nazista.
Descobertos pela Gestapo em 4 de agosto de 1944, foram levados a Westerbork e depois Auschwitz; Anne e Margot foram transferidas a Bergen-Belsen, onde morreram de tifo em fevereiro/março de 1945, aos 15 anos, meses antes da libertação. Otto, único sobrevivente, publicou o diário em 1947, vendendo milhões de cópias e inspirando peças, filmes e museu em Amsterdã.
Anne sonhava ser escritora e via seu texto como legado eterno: "eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são boas no fundo".
Auschwitz
Auschwitz foi o maior complexo de campos de concentração e extermínio nazistas, localizado perto de Oświęcim, na Polônia ocupada, onde cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas entre 1940 e 1945.
Construído inicialmente como campo de trabalhos forçados em 1940 por ordem de Heinrich Himmler, expandiu-se para Auschwitz I (centro administrativo), Auschwitz II-Birkenau (principal campo de extermínio com câmaras de gás usando Zyklon B) e Auschwitz III-Monowitz (trabalhos para a indústria IG Farben), além de subcampos. A maioria das vítimas era judia (90%), mas incluía poloneses, ciganos, prisioneiros soviéticos, homossexuais e Testemunhas de Jeová, mortos por gás, fome, doenças ou experimentos médicos.
A partir de 1942, sob a "Solução Final" decidida na Conferência de Wannsee, trens de toda Europa chegavam diariamente; Rudolf Höss, comandante, estimou 2,5 milhões gaseificados, mas historiadores confirmam 1,1 milhão de mortes totais. Libertado pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945 (Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto), as SS forçaram marchas da morte de 60 mil prisioneiros antes da evacuação.




