A influenciadora Nayra Gabrielly Oliveira Feitosa, de 20 anos, conhecida por produzir conteúdo sobre a vida no sistema prisional, foi presa novamente por descumprir as medidas cautelares impostas pela Justiça. A informação foi divulgada pelo Ministério Público nesta sexta-feira (9). A jovem havia sido detida em julho do ano passado ao tentar entrar com drogas em um presídio de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), e teve a prisão preventiva revogada em agosto, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições.
Com mais de 90 mil seguidores nas redes sociais, Nayra ganhou notoriedade ao compartilhar experiências vividas quando esteve presa em uma penitenciária de São Paulo. No Ceará, após cerca de duas semanas recolhida, ela passou a responder em liberdade, com obrigações como recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h, proibição de entrar em unidades prisionais como visitante, monitoração eletrônica e comparecimento periódico à Justiça.
De acordo com o promotor de Justiça Gustavo de Souza, a influenciadora “violou reiteradamente” as condições impostas pelo Judiciário, incluindo a monitoração eletrônica e outras determinações judiciais. “O comportamento da acusada demonstra desprezo pela benesse concedida pelo Estado, que confiou na possibilidade de cumprimento das medidas alternativas à prisão”, destacou o promotor.
Além do descumprimento das cautelares, Nayra também foi denunciada pelo Ministério Público por tráfico de drogas, com o agravante de o crime ter ocorrido dentro das dependências de uma unidade prisional.
Flagrante no presídio
A primeira prisão de Nayra Gabrielly no Ceará ocorreu no dia 27 de julho. Na ocasião, a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) informou que ela foi flagrada por um equipamento bodyscanner durante a revista. Com a influenciadora, foram encontrados 48 gramas de maconha e 118 comprimidos de Rohypnol, medicamento com efeitos entorpecentes, escondidos nas partes íntimas.
Ela tentava visitar o detento Daniel Ladeira, apontado como integrante de uma organização criminosa de origem carioca e preso em fevereiro de 2025, acusado de matar um taxista durante um assalto na casa da vítima, no bairro Parque Araxá, em Fortaleza.
Liberdade com restrições
No dia 6 de agosto, a prisão preventiva de Nayra foi revogada, e ela passou a responder em liberdade, com o uso de tornozeleira eletrônica. Entre as medidas impostas estavam:
- Proibição de entrar em unidades prisionais do Ceará como visitante;
- Monitoração eletrônica;
- Proibição de se ausentar da comarca onde reside por mais de oito dias sem autorização judicial;
- Recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h, todos os dias;
- Comparecimento bimestral à 1ª Vara de Itaitinga para informar e justificar suas atividades, mantendo os dados cadastrais atualizados por seis meses.
O descumprimento de qualquer uma dessas determinações poderia resultar em nova prisão, o que acabou se concretizando.
Vídeos e relatos nas redes sociais
Após deixar a prisão, Nayra voltou a publicar vídeos nas redes sociais e comentou sobre o período em que esteve recolhida no Ceará. “Nesses doze dias, Deus me mostrou o que era sofrer no Sistema Penitenciário. Eu posto como uma brincadeira, como um gesto mais alegre de falar, mas não desejo para ninguém passar por isso. É um lugar frio, um lugar triste, de sofrimento”, afirmou.
Ela também disse que a tentativa de entrar com drogas no presídio teria sido motivada por dificuldades financeiras. “Já tinha prometido a Deus na minha primeira prisão que, quando saísse de lá, iria mudar minha vida através das redes sociais e não faria mais nada de errado. Só que a dificuldade vem e, às vezes, a gente esquece do que prometeu. […] Estou de tornozeleira? Estou. Mas estou na minha casa e estou bem”, declarou.
Ao ser questionada por uma seguidora se contaria detalhes sobre a experiência no sistema penitenciário cearense, Nayra afirmou estar impedida de falar sobre o assunto. “Queria contar muito para vocês como foram esses dias, a diferença de uma unidade para a outra, mas não posso dizer nada sobre a unidade, por pedido da direção. Não posso expor, não posso falar o que vi lá dentro, para não gerar um processo. […] Queria pelo menos o direito de falar sobre o que vivi. Conheci pessoas, ouvi histórias, vivi tal coisa, mas infelizmente não vou poder”, disse.
Histórico criminal
Nayra Gabrielly já havia sido condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a quatro anos, dois meses e 12 dias de reclusão por tráfico de drogas, mas recorria em liberdade. Em outubro de 2023, foi presa na capital paulista transportando quase 50 quilos de maconha em um ônibus interestadual.
Após cumprir parte da pena, passou a produzir conteúdo sobre a rotina no cárcere, acumulando mais de 70 mil seguidores e milhões de visualizações. No caso atual, a prisão em flagrante no Ceará foi convertida em preventiva, à época, para garantir a ordem pública, segundo a Justiça, diante da reincidência.
Agora, com o descumprimento das medidas cautelares, a influenciadora voltou a ser presa e permanece à disposição do Judiciário.
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