A União Europeia deu sinal verde provisório ao acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), após mais de 25 anos de negociações, com maioria qualificada dos embaixadores em Bruxelas superando resistências de França, Irlanda e outros países.
Em reunião de embaixadores, a maioria dos 27 países votou a favor. A Itália mudou posição e apoiou o pacto. A decisão abre caminho para assinatura pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na segunda-feira (12), no Paraguai.
O tratado criará a maior zona de livre comércio global, beneficiando 780 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões em PIB, com eliminação de tarifas para carros, vinhos e produtos agrícolas. Para o Brasil, amplia acesso ao mercado europeu além do agro, impulsionando indústria e exportações.
Agricultores europeus, especialmente franceses, temem concorrência; o pacto inclui cláusulas de proteção setorial. Ainda precisa de aval do Parlamento Europeu e ratificação nacional para vigorar.
De que modo o acordo entre União Europeia e Mercosul pode impactar a economia do Brasil?
O acordo UE-Mercosul deve impulsionar as exportações brasileiras em até 4,5% anuais, abrindo mercado para US$ 100 bilhões em bens, com foco em agro e indústria. O Brasil exportará carne bovina, soja e etanol sem tarifas para a UE, eliminando barreiras de 20% em carnes e abrindo 99 mil toneladas anuais para aves e suínos. Produtos como açúcar e suco de laranja ganham cota zero, fortalecendo o setor primário.
Com isso, a indústria brasileira acessa 450 milhões de consumidores sem impostos, exportando calçados, máquinas e químicos. A redução gradual de tarifas em automóveis europeus ainda favorece montadoras locais.
Há concorrência em setores sensíveis, como etanol, exigindo adaptações a partir dessa mudança. No entanto, de modo geral, os dados projetam um saldo positivo de 4 bilhões de euros para a União Europeia e ganhos bilionários para o Brasil em PIB e geração de empregos. A ratificação final do acordo ainda depende de entendimentos dos parlamentos, com vigência em 2028.
União Europeia
Com cerca de 450 milhões de habitantes e um PIB combinado superior a US$ 18 trilhões, a UE é o maior bloco comercial do mundo. Trata-se de uma união política e econômica formada por 27 países soberanos da Europa, criada para promover paz, estabilidade e prosperidade por meio da integração econômica entre os países do bloco
Surgida após a Segunda Guerra Mundial, com raízes na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951) e na Comunidade Econômica Europeia (1957), a UE busca eliminar barreiras comerciais, adotar uma moeda comum (o euro, usado por 20 membros) e coordenar políticas comuns em áreas como comércio, meio ambiente e segurança.
A UE opera por meio de sete instituições principais: Comissão Europeia (executiva, propõe leis), Parlamento Europeu (legislativo eleito diretamente), Conselho da União Europeia (representa governos nacionais), Conselho Europeu (define prioridades estratégicas), Tribunal de Justiça (interpreta leis), Banco Central Europeu (gerencia o euro) e Tribunal de Contas (auditoria).
Mercosul
O Mercosul, ou Mercado Comum do Sul, é um bloco econômico sul-americano criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, integrando Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai como membros plenos, além de Venezuela (suspensa) e Bolívia (em processo). O bloco visa estabelecer uma zona de livre comércio, com tarifa externa comum (TEC), livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, além de harmonização de políticas econômicas para impulsionar o comércio regional e a competitividade global.
Órgãos como o Conselho do Mercado Comum (CMC), Grupo Mercado Comum (GMC) e Fórum de Coordenação coordenam as decisões do bloco. Além disso, países associados (Chile, Peru, Colômbia, Equador, Guiana e Suriname) participam sem TEC plena.




