A cantora e compositora portuguesa Bárbara Bandeira lançou, na última sexta-feira (9), o single “Marcha”, faixa que marca o início do Ato II do projeto “Lusa”. A obra integra uma série de quatro EPs concebidos como atos de uma narrativa artística que explora, de forma profunda, a ligação cultural, afetiva e musical entre Portugal e Brasil — países que fazem parte da identidade da artista.
Filha da cearense Siara Holanda, natural de Fortaleza, e do cantor português Rui Bandeira, Bárbara carrega em sua história pessoal uma ponte direta entre os dois territórios. Essa herança vem se refletindo cada vez mais em sua produção musical e reforça o desejo declarado de ampliar a presença no mercado brasileiro, considerado por ela um destino natural dentro do processo de internacionalização da carreira.
Aos 24 anos, Bárbara Bandeira já se consolidou como um dos principais nomes da música pop em Portugal. A artista soma mais de 50 milhões de streams, cerca de 20 certificações no país e prêmios de grande relevância, como o Globo de Ouro de Revelação do Ano e dois MTV Europe Music Awards, números que evidenciam o alcance e a consistência de sua trajetória.
O projeto “Lusa” foi idealizado como uma obra musical e audiovisual. Dividido em quatro atos, cada EP representa uma etapa da construção artística e identitária da cantora. Elementos da natureza, como água e fogo, são utilizados como símbolos visuais e conceituais para traduzir diferentes estados emocionais, criativos e culturais, enquanto as sonoridades transitam entre o tradicional e o contemporâneo.
A concepção do projeto surgiu a partir de uma reflexão pessoal. Ao completar dez anos de carreira, Bárbara decidiu investir de forma estratégica na expansão internacional do seu trabalho, com foco especial no Brasil. No Ato I, a aproximação com o público brasileiro se deu por meio de colaborações com Veigh e WIU, explorando o pop urbano e o trap. Já o Ato II, inaugurado por “Marcha”, volta-se às raízes portuguesas, apresentadas sob uma estética moderna.
O vínculo afetivo com o Brasil, especialmente com o Ceará, aparece com destaque nas falas da artista. Questionada sobre o lugar de que mais gosta no país, ela responde sem hesitar: “A casa da minha avó em Fortaleza”. A influência brasileira também está presente na gastronomia e nas referências musicais. Bárbara declara amor por coxinha, baião de dois e brigadeiro de panela, além de citar artistas como Liniker, Marina Sena, Zeca Veloso, Caetano Veloso, Ana Carolina e Maria Bethânia.
Ao conectar raízes familiares, territórios e referências culturais em um projeto autoral e ambicioso, Bárbara Bandeira se firma como um dos nomes mais promissores do pop em língua portuguesa e coloca, de vez, o Brasil no centro dos seus próximos passos artísticos.




