Um alto membro do governo do Irã revelou à agência Reuters, nesta terça-feira (13), que já foram registrados cerca de 2 mil mortos – incluindo civis e membros das forças de segurança – nos protestos contra o regime dos aiatolás, ao longo das últimas duas semanas. Trata-se da primeira admissão oficial da escala da repressão.
Os levantes, desencadeados por hiperinflação, desvalorização do rial e sanções internacionais (agravadas por ataques de Israel e EUA em 2025) já resultaram em mais de 10 mil prisões em 187 cidades, com blecaute de internet desde sexta-feira (9), dificultando a contagem precisa.
Vídeos verificados pela agência mostram confrontos noturnos em Teerã e Kermanshah com tiros reais, carros incendiados e prédios em chamas; no Centro Médico Forense de Kahrizak (Teerã), imagens de redes sociais revelam corpos enfileirados no chão, com famílias em desespero procurando parentes.
A Iran Human Rights (IHR), baseada na Noruega, confirma 648 mortes de manifestantes até 12/01 (incluindo 505 civis e crianças), enquanto ativistas da HRANA estimam subnotificação e somam mais de 12 mil vítimas totais, atribuindo massacres a fuzis do IRGC (Guarda Revolucionária).
O oficial anônimo culpa "terroristas" pelas baixas em ambos os lados. Autoridades admitem perdas acima de 100 pessoas nas equipes de segurança, mas minimizam as mortes dos civis. Relatos de cidadãos descrevem ruas desertas em Teerã com policiamento ostensivo, vandalismo pós-bloqueio parcial de internet e medo generalizado.
A crise, a maior no país nos últimos três anos, é reflexo de colapso econômico após os ataques ocidentais, com a moeda despencando e agravamento da fome nas maiores cidades. Os protestos evoluíram de demandas por pão para gritos contra Khamenei.
A ONU relata "violência horrífica" com centenas mortos, e vídeos de necrotérios improvisados com pilhas de corpos em sacos pretos viralizam.
Trump
Donald Trump tem comentado os protestos no Irã com tom ameaçador, afirmando considerar "opções muito fortes" militares contra o regime, enquanto líderes iranianos supostamente o procuraram para negociar.
Trump declarou que as Forças Armadas dos EUA analisam ações como bombardeios ou ataques cibernéticos para apoiar manifestantes, alertando que "talvez tenhamos de agir antes de uma reunião" com Teerã, após relatos de centenas de mortes na repressão. Ele descreveu os protestos como busca iraniana por "liberdade como nunca antes" e afirmou que os EUA estão "prontos para ajudar", oferecendo suporte a fontes antigoverno via internet.
O presidente anunciou tarifas de 25% sobre países que negociem com o Irã e reforçou sanções, culpando o regime por violência contra "manifestantes pacíficos". Em postagens na Truth Social, Trump ironizou Khamenei como "cansado de apanhar dos EUA" e elevou tensões, com o Irã retaliando verbalmente contra bases americanas e israelenses.
Protestos
Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro de 2025. Manifestações massivas eclodiram inicialmente em Teerã, no Grande Bazar, com comerciantes e lojistas protestando contra o colapso do rial – que atingiu mínimas históricas frente ao dólar –, hiperinflação e preços disparados de bens básicos como ouro e alimentos, em meio a sanções internacionais agravadas por conflitos regionais.
Em 29 de dezembro, os atos se espalharam para pelo menos nove províncias, incluindo Qeshm, Zanjan, Hamadan, Ilam e Lorestan, evoluindo de queixas econômicas para gritos contra o líder supremo Ali Khamenei ("Morte ao ditador!") e o regime teocrático, vistos como corruptos e priorizando apoio a grupos como Hezbollah em detrimento da população.




