Produtos como frutas, castanhas, pescados e camarão ganham competitividade internacional
Acordo Mercosul–União Europeia pode impulsionar agronegócio, indústria e energia no Ceará
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é visto como uma grande oportunidade para o Ceará, ao abrir acesso a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. A expectativa é de que setores estratégicos do estado sejam diretamente beneficiados, com destaque para o agronegócio, a indústria e projetos de energia limpa. Produtos como frutas, castanhas, pescados e camarão ganham competitividade internacional, além de itens como calçados, aço e minério de ferro.

Segundo o especialista em Comércio Internacional Augusto Fernandes, o impacto positivo para o agro cearense pode ser expressivo. “O nosso agro vai ser beneficiado de forma gigantesca. Nós temos uma agricultura forte, temos eficiência e baixas barreiras ambientais, o que não acontece, por exemplo, na França, Bélgica e alguns outros países da Europa, onde as barreiras ambientais são altas e o desafio para eles é muito maior”, afirmou. Ele destaca que essa vantagem competitiva pode facilitar a entrada dos produtos cearenses no mercado europeu.
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Outro ponto ressaltado é a redução de custos para empresas locais que utilizam insumos europeus. A secretária das Relações Exteriores, Roseane Medeiros, explica que a diminuição das tarifas pode chegar a mais de 90% em diversos produtos. “Temos grandes benefícios, por exemplo, nos laticínios e em alguns produtos têxteis, que vão vir com alta qualidade e reduzindo de 91% a 92% a alíquota de importação, como roupas, acessórios, vinhos e queijos. Toda essa gama que a Europa é muito rica poderá ser exportada para nós com essa redução tarifária”, destacou.
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Além do comércio tradicional, o acordo também pode fortalecer projetos estratégicos do Ceará, como o de hidrogênio verde. Augusto Fernandes aponta que o estado possui uma vantagem imensa nesse setor. “Nós temos frutas, castanhas, pescados, mas principalmente o projeto do hidrogênio verde. Imaginem importar insumos com redução de 90% e exportar essa energia dentro dessa zona de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas. Você imagina o benefício para o estado do Ceará”, afirmou.
Apesar das oportunidades, especialistas alertam que o acordo ainda não está em vigor. Após a assinatura, o tratado precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos, o que pode gerar resistências, questionamentos e ajustes. “Até entrar em vigor, isso ainda vai demorar algum tempo. A burocracia é grande, agora vem toda a parte de regulamentação”, ponderou Augusto Fernandes. Ainda assim, a avaliação é de que, para o Ceará e para o Brasil, o acordo representa um novo capítulo de oportunidades, exigindo planejamento, apoio do poder público e preparação das empresas para transformar a abertura de mercados em desenvolvimento econômico sustentável.

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