Três séculos depois, o bairro mantém seu protagonismo econômico.
Centro de Fortaleza: de berço histórico a motor econômico da capital cearense
Antes mesmo do dia clarear, Fortaleza já desperta para a rotina intensa do comércio. No Centro, onde a cidade começou há 300 anos ao redor do Forte das Primeiras Feiras, a economia movimenta ruas, feiras e o icônico Mercado Central, conectando tradição, cultura e desenvolvimento.

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Três séculos depois, o bairro mantém seu protagonismo econômico. É ali que o antigo e o moderno dividem a mesma calçada: produtos que atravessam gerações convivem com itens de moda atuais, em um espaço que mescla história e contemporaneidade.
O Mercado Central de Fortaleza se destaca como símbolo econômico e cultural. Mais do que ponto turístico, ele reúne artesãos e comerciantes que vendem produtos típicos do Ceará, como castanhas, bordados, redes e doces regionais, fortalecendo toda a cadeia produtiva local. Para muitos visitantes, como a administradora Bianca Schmidt, o Mercadão é um espaço de descoberta: “É a primeira vez em Fortaleza, e hoje vim atrás da castanha, que sei que é de muita qualidade, e também dos artesanatos, que dou muito valor”, afirmou.
Para o agente de viagens Francisco Maia, o local é tradição: “Aqui sempre venho, tô no Kelbs, comprando castanhas e muito artesanato do Ceará. Os preços são bons e a qualidade excelente.” O espaço impulsiona outros setores, como transporte, alimentação e serviços, funcionando como motor econômico da cidade.
Permissionários do mercado contam histórias de vida que atravessam décadas. Cleylton, que começou a trabalhar nas feiras há mais de 30 anos, relata: “Trabalhei seis anos de empregado, em 1986 fui para a Praça da Sé e depois voltei para o mercado, comprei um ponto e de lá até hoje estamos nos divertindo.”
O setor de couro também é forte na região. Francisco, que começou produzindo apenas bolsas, hoje diversifica produtos, oferecendo calçados inspirados em marcas consagradas: “Hoje o meu forte é calçado. Tem calçado, bolsa e kit; essa diversificação é o que mais sai.”
Elyson Araújo segue os passos da família no bordado artesanal. “Minha família tem mais de 30 anos nesse trabalho. Acompanhei meus pais desde pequeno e hoje sou fornecedor para São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Clientes que querem loja de grife compram com a gente”, disse.
O economista Wandemberg Almeida ressalta que a economia da capital se confunde com o comércio local: “Há mais de 200 anos começamos aqui em Fortaleza a atrair novos negócios, fortalecendo a economia. Isso mostra a interação entre produtores, empresas e o comércio local.”
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Renascimento após pandemia
Após a pandemia, o Centro precisou se reinventar e conseguiu. Entre janeiro e novembro de 2025, o Ceará registrou crescimento de 28% na abertura de empresas, enquanto Fortaleza teve um avanço ainda maior, com 46.332 novos CNPJs registrados, um aumento de 36,3% em relação a 2024.
O Centro concentra atualmente 21.616 CNPJs ativos, ocupando a segunda posição entre os bairros com maior número de empresas da cidade, atrás apenas da Aldeota. São mais de 21 mil empresas que geram emprego e renda, mantendo a região viva e estratégica para a economia local.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza, Antônio José Mota, destaca a importância do bairro: “O Centro é o coração da economia de Fortaleza. Aqui se aprende a comercializar, a resistir e a se transformar, mantendo a essência da cidade.”
Entre feiras de rua e o Mercado Central, o bairro mantém tradição e modernidade, oferecendo alternativas de renda para trabalhadores informais e produtos acessíveis à população, além de preservar a história do comércio urbano. Ao completar 300 anos, Fortaleza reconhece no Centro não apenas o berço histórico da cidade, mas também um espaço que respira economia, cultura e inovação, confirmando que seu valor vai além da memória: traduz-se em atividade concreta, negócios ativos e desenvolvimento contínuo.
Leia também |Fortaleza surgiu a partir de uma fortificação militar e teve sua origem ligada à defesa do território
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