Fortaleza registrou uma redução de 28% nos casos de hanseníase entre 2024 e 2025, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. Em 2025, foram confirmados 224 diagnósticos, o que representa 89 casos a menos em comparação ao ano anterior. O diagnóstico e o tratamento da doença são realizados gratuitamente nos 134 postos de saúde da Capital.
A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e afeta principalmente a pele e os nervos. Entre os principais sintomas estão manchas de diferentes cores, além de alterações na sensibilidade. Em quadros mais avançados, podem surgir dormência, formigamento e fisgadas.
A Prefeitura de Fortaleza oferta atendimento gratuito para casos suspeitos da doença por meio da Rede Municipal de Saúde. Os exames dermatológicos e neurológicos são as principais ferramentas para identificar a hanseníase, pois avaliam alterações na pele e mudanças de sensibilidade.
A moradora de Fortaleza Maria de Jesus de Lima, de 48 anos, procurou atendimento após perceber uma mancha vermelha na pele. Após avaliação neurodermatológica, o diagnóstico foi confirmado e o tratamento iniciado de forma imediata.
“Eu não conhecia a doença, então foi um susto quando tive o resultado do diagnóstico positivo. A médica do posto disse que eu estava com hanseníase”, relatou.
Tratamento interrompe a transmissão da doença
A transmissão da hanseníase ocorre principalmente por meio de tosse, espirros, fala e contato prolongado com pessoas infectadas. Por isso, o diagnóstico precoce é considerado essencial para interromper a cadeia de transmissão.
Com o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença. Mesmo após a cura, o acompanhamento médico é mantido para monitorar possíveis sequelas.
Após concluir o tratamento, Maria de Jesus segue em acompanhamento no posto de saúde. Seus filhos também foram diagnosticados, realizaram o tratamento na rede municipal e já estão curados. Durante o período da doença, ela relata que evitava sair de casa devido ao preconceito.
“Eu só saía durante a noite e ia à igreja. Quando a médica disse que eu estava curada, depois de fazer todo o tratamento, foi uma satisfação muito grande”, contou.
Atendimento e ampliação do diagnóstico
Segundo a auxiliar de laboratório Claudia de Sousa Lima, do posto de saúde Hélio Góes, no bairro Sapiranga, pacientes encaminhados para exames complementares não precisam estar em jejum. Pelo contrário, devem estar bem alimentados.
“Muitos pacientes não sabem disso e acabam ficando em jejum, o que pode causar mal-estar. Aqui, orientamos e acolhemos da melhor forma possível”, explicou.
O encaminhamento para a coleta ocorre após consulta médica. Caso o profissional identifique sintomas como manchas, lesões, dor ou alteração de sensibilidade, o paciente é direcionado para os exames necessários.
Para 2026, as equipes de saúde planejam ampliar o diagnóstico precoce e fortalecer as ações de prevenção, com foco na redução contínua dos casos em Fortaleza.




