O Ceará tem registrado avanços significativos na área de transplantes de órgãos e tecidos, alcançando mais de 2 mil procedimentos por ano. Essa evolução reflete o esforço conjunto de hospitais públicos e privados, do trabalho de captação no interior do Estado, da sensibilização de famílias e do desenvolvimento do corpo técnico especializado. O Jornal da Cidade estreou nesta quarta-feira (28) a série “Entre Vidas e Filas”, que acompanha a realidade de pessoas que aguardam um transplante e mostra como o sistema cearense transforma esperança em vidas salvas.
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Entre os casos acompanhados está o de Sonária Fernandes, professora natural de Potiguar, que mudou-se para Fortaleza em 2018 após descobrir que seus rins estavam falhando. Ela revela que a doença se agravou durante a última gestação: “Durante a minha última gestação, eu tive pressão alta e perda de proteína. Meus rins foram muito afetados e eu sobrevivi ao eclampsis por um milagre. Milagre de Deus.” Há pouco mais de um mês, Sonária recebeu um novo rim doado por uma jovem que faleceu. “Eu não tinha uma pessoa da família que pudesse doar. Mas, graças a Deus, uma família doou esse rim. Sou muito grata a Deus e a essa família. É um ato de amor. Mudou a minha história e tenho certeza que é a história de muitas pessoas que estavam na fila aguardando pelo órgão.”
O processo de transplante é conhecido como “caminho da solidariedade”. Ele começa com a identificação de um potencial doador em grandes hospitais e envolve logística cuidadosa para remoção, transporte e distribuição dos órgãos aos centros transplantadores, onde se encontram os receptores selecionados. Eliana Régia, líder da Central de Transplantes do Ceará, explica:
“O transplante não depende de condição financeira ou da gravidade do paciente e, em alguns casos, as crianças são prioridade. Também é considerado no cálculo a possibilidade de sobrevida e não existem casos em que a fila de espera é desrespeitada.” O Estado realiza transplantes de rins, fígado e medula óssea, que podem vir de doadores vivos, e o SUS ainda disponibiliza procedimentos de pâncreas, pulmão, coração e córneas, captados de doadores com morte cerebral. Hoje, os hospitais públicos concentram 85% dos transplantes realizados no Ceará.
Captação de órgãos
A evolução do sistema se deve também à inclusão de unidades do interior na captação de órgãos, ampliando o alcance e reduzindo o tempo de espera para pacientes. Entre os hospitais que atuam nesse processo estão o Hospital São Vicente de Paulo, em Tapipoca; o Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte; e o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim. Graças a essas unidades, órgãos de pacientes que faleceram no interior podem salvar vidas em Fortaleza e em outros municípios. O número de transplantes reflete esse crescimento: em 2024, foram realizados 2.060 procedimentos, enquanto em 2025 o total aumentou para 2.097.
A formação de profissionais especializados também é destaque no Ceará. Ivelise Brasil, diretora-geral do Hospital Universitário Walter Cantídio, explica:
“O Estado tem até mestrado em transplantes. Nos últimos seis anos, esse programa formou em média de 15 a 20 mestrandos por ano, nas várias áreas, não só médicos, mas enfermeiros, inclusive áreas que não são habitualmente elencadas como áreas da saúde, como o direito.” Essa capacitação garante que o sistema não apenas atenda à demanda local, mas também receba pacientes de toda a região Nordeste. “Nós recebemos pacientes da região Norte e de vários outros estados do Nordeste. Quando fazemos um cálculo populacional, temos que trabalhar com mais de 60 milhões de habitantes, na média. O SUS é universal, então a legislação permite que um paciente se desloque para outro estado em busca desse procedimento”, complementa.
O sucesso do sistema de transplantes no Ceará mostra como a solidariedade, a tecnologia e o trabalho das equipes médicas podem transformar vidas. Para pacientes que dependem de máquinas e da generosidade de famílias doadoras, cada transplante representa esperança. Sonária, por exemplo, segue acompanhando seu pós-operatório e já se prepara para retomar uma rotina normal: “Estou fazendo exames para acompanhar o rim transplantado e não desisti. O transplante mudou minha vida e a esperança de muitos que aguardam na fila.”
A série “Entre Vidas e Filas” do Jornal da Cidade continua mostrando histórias de pacientes, o funcionamento das centrais de transplantes e os desafios e conquistas do sistema de saúde cearense. Com mais de 2 mil procedimentos por ano, o Estado reforça que o transplante é um ato de amor, ciência e cidadania, que salva vidas todos os dias.
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