INVESTIGAÇÕES

Campos Neto, presidente do BC na gestão Bolsonaro, sabia dos problemas do Master, mas não interviu, diz jornal

Campos Neto estava ciente dos problemas de liquidez do Banco Master e evitou uma intervenção direta

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29 de janeiro de 2026
Portal GCMAIS

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tinha conhecimento da situação financeira delicada do Banco Master, mas optou por não adotar medidas mais duras durante seu último ano à frente da autoridade monetária, entre 2019 e 2024. As informações foram publicadas nesta quarta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo e revelam bastidores da atuação do BC diante da crise de liquidez enfrentada pela instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Campos Neto, presidente do BC na gestão Bolsonaro, sabia dos problemas do Master, mas não interviu, diz jornal
Foto: Jose Cruz/Agv™ncia Brasil

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Segundo a reportagem, Campos Neto estava ciente dos problemas de liquidez do Banco Master e evitou uma intervenção direta, mesmo diante do agravamento do cenário. Em vez disso, o então presidente do BC teria dado um “ultimato” para que o banco encontrasse uma solução definitiva até março de 2025. A resolução, no entanto, não ocorreu, e o Master acabou sendo liquidado em novembro do ano passado, já sob a presidência de Gabriel Galípolo no Banco Central.

Documentos enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU), em processo relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, indicam que a fiscalização sobre o Master foi intensificada a partir do primeiro semestre de 2024. Naquele período, o BC passou a realizar um “acompanhamento contínuo da gestão de risco de liquidez” da instituição, que enfrentava um cronograma elevado de desembolsos e mantinha baixo volume de ativos líquidos em seu balanço.

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Diante desse quadro, o Banco Central determinou a adoção de medidas para garantir níveis adequados de liquidez e exigiu a apresentação de um plano de contingência atualizado. Ainda assim, de acordo com o documento, a situação se deteriorou no segundo semestre de 2024, quando o Master não conseguiu cumprir seu plano de negócios, que previa a captação de R$ 15 bilhões em recursos institucionais de longo prazo, arrecadando apenas R$ 2 bilhões.

Mesmo com a frustração da captação, o banco continuou contratando operações estruturadas de longo prazo, com baixa liquidez e sem geração de fluxos financeiros relevantes. Para o BC, o gerenciamento inadequado do risco de crédito contribuiu de forma decisiva para o agravamento da crise. O órgão regulador também identificou uma série de irregularidades, como insuficiência de capital, inexistência de ativos líquidos em fundos de liquidez e descumprimento de normas de gestão de risco.

O Banco Central apontou ainda que informações incorretas teriam sido prestadas pela instituição à autarquia. Além disso, o Master dependia de dados fornecidos por terceiros para avaliar riscos de crédito, o que contrariava regras prudenciais. As operações consideradas atípicas chamaram a atenção do regulador e reforçaram a percepção de fragilidade do conglomerado financeiro.

A reportagem do Estadão também destaca que, sob a gestão de Campos Neto, o BC editou uma norma em outubro de 2023 que alterou a contabilização de precatórios como ativos de risco. A regra continha uma brecha que beneficiou o Banco Master, permitindo que a instituição mantivesse bilhões desses ativos no balanço sem a necessidade de novos aportes de capital ou venda de ativos, o que ajudou a postergar medidas mais drásticas.

Sinais de alerta já vinham sendo percebidos pelo mercado antes da liquidação. Em agosto de 2023, a Warren Investimentos recomendou a clientes que não comprassem CDBs do Banco Master. A partir de novembro de 2024, o banco passou a enfrentar dificuldades para rolar dívidas em plataformas de investimento e deixou de recolher integralmente os depósitos compulsórios ao BC, o que levou a autoridade monetária a notificá-lo sobre a possibilidade de adoção de medidas prudenciais preventivas. Procurado pela reportagem, Roberto Campos Neto não se manifestou sobre os questionamentos.

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