A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a apreensão do passaporte de um dos adolescentes investigados no caso do cão comunitário “Orelha”, em uma medida voltada a impedir que o jovem deixe o país durante o andamento das investigações, segundo informações divulgadas em redes sociais oficiais da corporação.
A solicitação foi formalizada na última sexta-feira (6) e a Polícia Federal foi comunicada sobre a ação, que se soma a outras diligências em curso no inquérito. O objetivo é evitar eventuais deslocamentos internacionais do adolescente enquanto o processo é analisado pelas autoridades competentes.
Contexto do caso “Orelha”
O episódio que chocou moradores da Praia Brava, em Florianópolis (SC), envolve a investigação de maus-tratos que resultaram na morte de um cachorro comunitário conhecido como Orelha, encontrado com lesões graves após agressões registradas na madrugada do dia 4 de janeiro de 2026.
O cão, que vivia há cerca de 10 anos na região e era cuidado por moradores locais, foi encaminhado a uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos e acabou sendo submetido a eutanásia no dia seguinte. Laudos periciais apontaram traumatismo na cabeça causado por objeto contundente.
Quatro adolescentes foram inicialmente identificados como suspeitos de participar das agressões, e a Polícia Civil concluiu o inquérito solicitando a internações provisória e o indiciamento de um dos jovens por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.
Vídeo divulgado pela investigação: explicação da Polícia Civil
Durante as investigações, a Polícia Civil de Santa Catarina — em parceria com a Secretaria de Estado da Comunicação — chegou a divulgar um vídeo que mostrava o adolescente suspeito acessando e saindo do condomínio onde estava hospedado na madrugada da agressão. No entanto, a corporação enfatizou que essa imagem tem caráter “meramente ilustrativo” e não altera as conclusões do inquérito.
Segundo a Polícia Civil, o frame foi produzido para exemplificar um dos vários registros captados por câmeras de segurança no local e reforçar a cronologia dos deslocamentos do jovem naquela madrugada entre as 5h25 e 5h58, período em que as agressões teriam ocorrido, conforme a investigação.
A corporação ressaltou ainda que investiga o caso com rigor técnico e que a imagem apenas ilustra parte dos múltiplos movimentos observados nas câmeras, sem constituir por si só prova direta de autoria. A conclusão formal do inquérito, que incluiu elementos como depoimentos e análises de provas, foi encaminhada ao Ministério Público para julgamento.
Repercussão e próximos passos
A defesa do adolescente negou sua participação nas agressões e argumentou que os indícios são “frágeis e inconsistentes”, contestando que o vídeo seja suficiente para confirmar envolvimento nas agressões.
Com a medida de apreensão do passaporte solicitada pela Polícia Civil, a investigação busca garantir que o processo legal siga sem obstáculos relacionados à movimentação internacional do jovem. O caso segue sob sigilo, em conformidade com as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que protegem a identidade de menores envolvidos em procedimentos judiciais.
A expectativa das autoridades é que a análise dos dados extraídos dos aparelhos eletrônicos apreendidos possa reforçar ou complementar as provas já reunidas, contribuindo para a definição dos desdobramentos jurídicos nos próximos meses.




