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Ponte dos Ingleses resiste ao tempo e se mantém como um dos mirantes mais visitados de Fortaleza

Equipamento encontrou um novo papel na vida da cidade, tornando-se um símbolo de memória afetiva e patrimônio cultural

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9 de fevereiro de 2026
Portal GCMAIS

A Ponte dos Ingleses, ícone histórico de Fortaleza, continua a desafiar o tempo, atraindo moradores e turistas para contemplar o mar, caminhar e aproveitar a cultura local. Construída com início em 1920, a estrutura foi projetada para se estender por cerca de 800 metros mar adentro, funcionando como porto de embarque e desembarque de pessoas e mercadorias. Apesar de o projeto original não ter sido totalmente concluído, a ponte encontrou um novo papel na vida da cidade, tornando-se um símbolo de memória afetiva e patrimônio cultural.

Ponte dos Ingleses resiste ao tempo e se mantém como um dos mirantes mais visitados de Fortaleza
Foto: Reprodução

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Um projeto ousado que não saiu do papel

A construção da ponte surgiu como uma solução temporária, já que a antiga ponte metálica, até então principal porto de Fortaleza, estava em péssimo estado. Navios precisavam ancorar mais ao largo, e a nova estrutura faria a ligação direta entre a terra firme e o mar.

O projeto foi assinado por engenheiros de uma empresa inglesa, e é daí que vem o nome Ponte dos Ingleses. Segundo a historiadora Nágila Maia: “A gente vai ver sendo construídos várias tentativas de porto, exatamente pensando na questão econômica. Aquela região é pensada como espaço de sociabilidade, de construção de memórias, de afetividade, mas também era um pulsar para a economia da nossa cidade.”

Mesmo sem cumprir sua função original, a ponte acabou sendo adotada pela cidade. Em 1989, o valor histórico e afetivo da estrutura foi reconhecido, e a Ponte dos Ingleses foi tombada como patrimônio histórico.

Transformações ao longo das décadas

Em 1994, a ponte passou por sua primeira grande reforma, ganhando uma pequena galeria de arte e um observatório marinho da Universidade Federal do Ceará. Já em 2024, após seis anos fechada, a estrutura foi reaberta com nova arquitetura, transformando-se em espaço de lazer e contemplação.

A urbanista Clélia Lustosa explica a mudança: “A ponte antiga era só um espigão que atendia a distribuição e chegada de mercadorias. Hoje, é um espaço de lazer, estilo muito Miami, com equipamentos que transformaram totalmente o local.”

Parte da antiga estrutura ainda resiste, lembrando os tempos em que a ponte tinha apenas função econômica, servindo como porto e ponto de logística de mercadorias.

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Cultura, arte e natureza no mesmo lugar

No final da ponte, a escultura La Femme Bateau, do artista cearense Sérvulo Esmeraldo, se destaca. Ao redor, a Praia de Iracema pulsa com atividades: surfistas, caminhantes, moradores e turistas aproveitam o espaço. Em dias de sorte, golfinhos chegam próximos à estrutura, criando um cenário único de contato com a natureza.

O estudante Renan Saraiva compartilha sua experiência: “Cara, é uma vista muito bonita. Eu nunca tinha vindo antes e lá mais pra frente tem uma vista panorâmica incrível do mar. Vou aproveitar para tirar umas fotos também.”

A turista argentina Milagros Mili também se encanta: “É maravilhoso, toda a cultura, as cores, a vista… impressionante! Mais que tudo, é maravilhoso ver toda a cidade de perto.”

Um dos melhores mirantes de Fortaleza

Ao fim da tarde, a Ponte dos Ingleses se transforma em um dos palcos naturais mais belos da cidade: o pôr do sol colore o céu e silencia a rotina urbana, reunindo olhares atentos de quem busca contemplação. Para muitos, o local é muito mais que um ponto turístico; é espaço de lazer, memória e conexão com o mar.

Como destaca Nágila Maia: “É interessante falar que a nossa cidade cresceu a partir daquela região. Fortaleza é uma cidade que nasceu e cresceu com os olhos voltados para o mar.”

A Ponte dos Ingleses segue, assim, como símbolo histórico, cultural e afetivo, provando que alguns lugares não apenas resistem ao tempo, mas se reinventam, mantendo seu charme e relevância para moradores e visitantes.

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