O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro 2026 ganhou repercussão após a escola apresentar uma alegoria que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço preso, durante homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação ocorreu na noite de domingo (15), na Marquês de Sapucaí, e abriu os desfiles do Grupo Especial.
A escola, que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, levou à Marquês de Sapucaí referências à trajetória do petista e também a adversários políticos.
Na alegoria, Bolsonaro é representado com expressão triste e semblante assustado, vestindo roupas listradas associadas a presidiários na dramaturgia. A figura também aparece com uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação, em referência ao episódio que resultou na revogação de sua prisão domiciliar, em novembro do ano passado.
Acadêmicos de Niterói faz alegoria com Bolsonaro preso
A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial após conquistar o título da Série Ouro em 2025. Fundada no município da Região Metropolitana Fluminense, a agremiação escolheu como enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O samba-enredo narra de forma cronológica a história do presidente, citando a infância como filho de Dona Lindu, a migração para o Sudeste, a atuação sindical em São Bernardo do Campo e a fundação do Partido dos Trabalhadores. Trechos como “Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!” foram entoados ao longo da avenida.
A escola contou com investimento de R$ 1 milhão da Embratur e R$ 4 milhões da Prefeitura de Niterói, destinados à produção de fantasias, carros alegóricos e ensaios. Ao todo, foram 75 minutos de desfile, com 12 alas e carros representando fases da vida do presidente.
Embora tenha sido convidado, Lula não participou do desfile na avenida. A presença foi descartada para evitar controvérsias. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, familiares e aliados acompanharam a apresentação.
Desfile levanta debate sobre propaganda eleitoral
A homenagem gerou questionamentos na Justiça Eleitoral sobre possível campanha antecipada, já que Lula pode disputar a reeleição em 2026. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou pedidos para barrar o desfile, mas alertou para risco de irregularidade caso houvesse promoção explícita de candidatura.
Para evitar punições, a escola orientou integrantes a não utilizarem o gesto do “L” com as mãos, símbolo associado a campanhas do presidente. Ministros do governo também foram orientados a não participar do desfile na avenida.
O episódio reforça o histórico do Carnaval do Rio como espaço de manifestações políticas e sociais. Em 2026, a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial uniu homenagem, crítica simbólica e discussão jurídica, colocando o enredo entre os destaques da Sapucaí.




