O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na noite deste domingo (15), do desfile da Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola apresentou um enredo sobre a trajetória pessoal e política de Lula. O presidente acompanhou a maior parte da apresentação no camarote da Prefeitura, mas desceu à pista para cumprimentar integrantes da agremiação e beijar o pavilhão, gesto que o colocou como parte do desfile.
Ao lado do prefeito Eduardo Paes, Lula foi saudado pela Comissão de Frente e, em seguida, recebeu o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Integrantes da escola fizeram o gesto do “L” com as mãos, enquanto o público entoou trechos do samba-enredo. “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, cantaram foliões. Em outro momento, um músico puxou “Lula lá”.
O samba também trouxe referências a políticas de combate à fome e à frase “o amor venceu o medo”. Um dos trechos diz: “É, tem filho de pobre virando doutor. Comida na mesa do trabalhador. A fome tem pressa, Betinho dizia. É, teu legado é o espelho das minhas lições. Sem temer tarifas e sanções. Assim que se firma a soberania. Sem mitos falsos, sem anistia”.
Desfile da Acadêmicos de Niterói retrata trajetória de Lula
O desfile da Acadêmicos de Niterói representou diferentes fases da vida do presidente, desde a infância até os mandatos no Palácio do Planalto. O humorista Paulo Vieira interpretou Lula em momentos como as posses presidenciais e o período de prisão entre 2018 e 2019.
Uma escultura metálica de 18 metros integrou um dos carros alegóricos. A atriz Dira Paes representou Dona Lindu, mãe do presidente. Também houve menções à ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em 2017.
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, não participou do desfile no último carro alegórico após recomendações jurídicas e permaneceu no camarote. Ela foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Uma das alas foi batizada de “Solte sua Janja”.
Aliados e adversários políticos também apareceram nas alegorias, entre eles Dilma Rousseff, Fernando Collor, Michel Temer e Jair Bolsonaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes também foi simbolizado.
O governo dos Estados Unidos e o presidente Donald Trump foram citados por meio de adereços como bonés com a frase “Make America Great Again” e fantasias com orelhas de Mickey.
Orientações do Planalto e do PT durante homenagem a Lula
A presença de Lula na Sapucaí ocorreu após orientações do Palácio do Planalto, do Partido dos Trabalhadores e do Tribunal Superior Eleitoral para evitar qualquer configuração de propaganda antecipada.
Entre as recomendações, autoridades foram orientadas a não fazer pedido explícito de voto ou divulgação de conteúdo eleitoral. Também ficou vedado o uso de diárias e passagens para participação em festas privadas.
“Mesmo nas atividades de cunho estritamente pessoal, não se afasta o dever de observância aos princípios e normas de regência da ética e da moralidade administrativas”, destacou nota divulgada.
O Partido dos Trabalhadores publicou uma cartilha afirmando que a homenagem era “uma iniciativa exclusiva” da escola de samba e que o desfile tinha caráter “estritamente cultural, sem qualquer atividade de cunho eleitoral proibida neste momento”.
A legenda orientou que não fossem utilizados símbolos partidários, referências ao número 13 ou expressões como “Lula 2026” e “Lula outra vez”. A recomendação também se estendeu às redes sociais, com veto a hashtags e mensagens que pudessem sugerir campanha eleitoral.
Segundo o partido, entrevistas deveriam se limitar à importância cultural do Carnaval, à trajetória histórica de Lula e à liberdade artística da escola. O documento ainda alertou que o descumprimento das orientações poderia gerar infração ética e disciplinar.




