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Casos de feminicídio reacendem alerta sobre violência contra a mulher no Ceará

Crimes em Itapipoca e Fortaleza expõem ciclo de violência contra a mulher e reforçam debate sobre prevenção

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Casos de feminicídio reacendem alerta sobre violência contra a mulher no Ceará
Foto: GCMais

A violência contra a mulher no Ceará volta ao centro do debate após novos casos registrados em diferentes municípios. A crueldade dos crimes e a escalada da violência de gênero reacendem a pergunta que se repete a cada ocorrência: até quando? Especialistas alertam que o feminicídio é o estágio final de um ciclo que começa com sinais muitas vezes ignorados.

Em Itapipoca, a empresária e influenciadora digital Ana Carolina de Sousa Silva, de 31 anos, foi encontrada morta dentro de casa. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. O episódio reforça um padrão que se repete em diferentes contextos: sinais de controle e conflitos que, quando não interrompidos, podem evoluir para um desfecho trágico.

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Em Fortaleza, no bairro Jangurussu, outra mulher foi agredida com um gargalo de garrafa em plena via pública. Os episódios, segundo especialistas, não são isolados. Eles revelam uma violência que cresce, se intensifica e, em muitos casos, termina em morte.

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Violência contra a mulher no Ceará

No Brasil, o feminicídio é considerado crime hediondo, previsto na Lei do Feminicídio, que alterou o Código Penal para incluir o assassinato de mulheres por razões da condição de sexo feminino.

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"O crime de feminicídio é um crime de ódio contra as mulheres", afirma Jéssica Rodrigues, advogada criminalista.

"O que caracteriza um feminicídio é quando há um crime contra a vida, tentado ou consumado, contra a vida de uma mulher, em razão dela ser mulher, por ódio, vilipêndio, à condição de mulher", explica Jéssica Rodrigues.

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Antes do desfecho extremo, no entanto, há sinais que indicam a escalada da violência. A agressão fatal, segundo especialistas, raramente é o primeiro episódio.

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Ciclo de violência antecede o feminicídio

O ciclo costuma envolver controle, ciúmes excessivos, humilhação, isolamento, ameaças e agressões físicas ou psicológicas.

"Antes do feminicídio, todas as outras violências já foram praticadas com essa mulher, inclusive até tentativas de feminicídio. Violência física, que é a violência que a gente consegue enxergar a olhos nus, porque todo mundo que, por exemplo, leva um murro, sabe que levou um murro", afirma Jéssica Rodrigues.

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"Agora, nem toda mulher que é vítima de violência psicológica entende que está dentro de um ciclo de violência psicológica", acrescenta Jéssica Rodrigues.

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A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. Entre elas, a violência psicológica é uma das mais recorrentes e frequentemente antecede agressões mais graves. Intimidação, manipulação e desvalorização constante são exemplos desse tipo de prática.

Informação e rede de proteção são apontadas como prevenção

Especialistas defendem que identificar os sinais precoces pode ser determinante para evitar que a violência evolua para o feminicídio.

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"Por isso que é importante cada vez mais a informação, tanto em relação às mulheres quanto em relação aos homens, entenderem que determinadas práticas são construídas socialmente, elas não são naturais", afirma Gislene Gabriel, socióloga.

"Tratar a mulher de forma diferente, com base em relações assimétricas de poder, isso não é natural, é uma construção social", explica Gislene Gabriel.

Estudiosos apontam que a naturalização do comportamento abusivo ainda é um desafio. Ciúme excessivo, tentativa de controlar amizades, roupas ou redes sociais muitas vezes são vistos como cuidado, quando podem indicar violência psicológica.

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O medo, a dependência emocional ou financeira e a descrença na proteção do Estado ajudam a explicar o silêncio de muitas mulheres.

"Dados de segurança pública também revelam que mulheres da periferia, mulheres negras, mulheres mais vulneráveis economicamente, é muito mais difícil que elas saiam do ciclo de violência", afirma Gislene Gabriel.

Diante da escalada dos casos e da brutalidade envolvida, especialistas reforçam a necessidade de agir de forma preventiva e fortalecer a rede de proteção. Para eles, enquanto a violência for tolerada em pequenas atitudes, o risco permanece.

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