Fortaleza mantém tradição esportiva marcada por campeões que começaram a trajetória na orla da capital. As praias da cidade concentram projetos sociais, escolinhas e quadras que funcionam como espaço de iniciação e treinamento para atletas de diferentes modalidades.
Antes de chegarem a centros de alto rendimento, muitos esportistas iniciam a trajetória na beira-mar. A orla se consolidou como ambiente permanente de prática esportiva e formação de talentos.
Surf e vôlei de praia são alguns exemplos de esportes onde se destaca essa vocação. Ao longo das décadas, atletas formados nas areias da capital conquistaram títulos nacionais e internacionais e reforçaram a identidade esportiva de Fortaleza.
Esporte na orla impulsiona o surf em Fortaleza
O surf é uma modalidade olímpica desde 2016, o esporte cresce a cada ano na capital cearense. Na Praia da Leste Oeste, pelo menos 20 escolas ensinam crianças e adolescentes a deslizar nas ondas e enfrentar a arrebentação.
Entre os alunos está Asafe Coelho, que está dentro do transtorno do espectro autista e encontrou no surf uma oportunidade de desenvolvimento e superação. Incentivado pelo tio, ele afirma que vê o esporte como chance de crescer nas competições. Segundo o jovem, ele espera que seja “uma grande oportunidade de participar dos campeonatos” e diz que está se preparando, inclusive para ganhar uma prancha de aniversário.
O instrutor Adriano dos Anjos atua há 11 anos em projetos sociais na praia e afirma que a vocação esportiva da cidade é natural. Ele cita referências que inspiram alunos e professores, como Pabllo Paulino, Edivan Silva, Tita Tavares e Juliana Santos. Para ele, “é uma galera muito boa mesmo”, que inspira tanto quem ensina quanto quem aprende.
Juliana Santos é um dos principais nomes da nova geração do surf cearense. A atleta explica que a chegada ao profissional exige desempenho mais elevado, com um surf “mais evoluído, mais avançado”, no qual é preciso dar o máximo. Ela terminou 2023 como vice-campeã brasileira e afirma que, em 2024, entrou no circuito “com tudo”, conquistando o primeiro título nacional.
O desempenho de atletas como Juliana inspira crianças e adolescentes, caso de Angelina Rodrigues. A jovem afirma que sonha disputar campeonatos de grande porte e vê nas surfistas locais uma “inspiração muito grande” para seguir competindo.
Vôlei de praia em Fortaleza
Além do surf, o vôlei de praia fortalece a identidade esportiva da capital. Modalidade olímpica desde 1996, o esporte já rendeu 14 pódios ao Brasil. Parte dessa história passa pelas areias de Fortaleza.
Um dos maiores nomes é Shelda Bede, medalhista olímpica de prata em Atlanta e Sydney e dona de mais de 100 títulos na carreira. A atleta afirma que o momento mais marcante começou ainda na adolescência, quando decidiu deixar Fortaleza para treinar no Rio de Janeiro. Segundo ela, foi difícil sair de casa “por um sonho que eu não sabia nem se isso ia dar certo”, numa época em que o vôlei de praia ainda nem era olímpico.
Shelda também destaca conquistas importantes, como a primeira etapa do circuito mundial vencida em Porto Rico, em 1996, e a parceria com Adriana, a quem atribui papel fundamental na trajetória. Ela afirma que “tudo que eu conquistei foi com ela”, incluindo as duas medalhas olímpicas.
Nas quadras da Beira-Mar, novas gerações seguem o caminho. O atleta Celso avalia que Fortaleza e o Ceará são muito fortes na modalidade, em parte pela facilidade de acesso às quadras de areia. Segundo ele, apesar de ser um esporte caro, na praia qualquer pessoa pode jogar, o que acaba revelando “muito menino prodígio”.
A dedicação também marca a rotina de jovens atletas como Thainá e Wemily Martins, que treinam juntas há um ano. Wemily destaca que as meninas “se esforçam bastante” e direcionam todo o tempo ao vôlei, o que demonstra paixão pela modalidade. Já Thainá ressalta o espírito coletivo da Beira-Mar e afirma que, mesmo quem está começando, encontra apoio de quem já joga bem, o que torna o ambiente “muito bom” para evoluir.
Assim, entre o mar e a areia, Fortaleza mantém viva a tradição esportiva. A orla continua sendo ponto de partida de histórias que começam na beira-mar e alcançam o cenário nacional e internacional.




