Os 300 anos de Fortaleza também são marcados pelo avanço da prática esportiva na orla, que transformou a identidade da capital ao longo das últimas décadas. Na Beira-Mar, o dia começa antes do sol nascer. Corredores ocupam os calçadões, ciclistas cruzam as avenidas e atletas entram no mar para mais um treino. O cenário que atrai turistas se consolidou, sobretudo, como espaço de saúde, superação e qualidade de vida.
A capital cearense consolidou a prática ao ar livre como parte da rotina. O clima favorável e os espaços públicos ajudaram a transformar modalidades como a corrida de rua em estilo de vida. Hoje, espigões e avenidas ficam movimentados ainda de madrugada ou no fim da tarde.
Nesse ambiente, as histórias pessoais se misturam à paisagem e revelam como o esporte molda trajetórias.
Fortaleza 300 anos: cidade é polo do esporte ao ar livre
Aline Prudêncio começou a correr por meio de um projeto social. Com o tempo, tornou-se atleta profissional e referência para jovens da comunidade.
“Fortaleza é linda, né? E assim, ter essa orla com essa estrutura hoje é um privilégio, tá? E também ver essa galera entrando no hype, se cuidando tanto da saúde física como também ajuda muito o nosso mental”, afirma.
Ela conta que o impacto vai além das pistas. “Tem muitas meninas lá do meu projeto social que falam assim, eu me espelho em você, eu quero ser como a Aline Prudence. Então assim, não tem coisa melhor do que realmente você levar um futuro para esses jovens.”
Joilson da Silva também encontrou na corrida um caminho de transformação. Ele se profissionalizou e passou a inspirar novos praticantes.
“Eu me transformei em um atleta profissional, como Aline. E as pessoas veem a gente assim... A gente não é um foguete, mas acho que a gente tem um dom que Deus me deu pra gente. E a gente é grato. As pessoas veem, se motivam também. Eu acredito que as pessoas se motivam a ver a gente correndo.”
O reconhecimento vem nas ruas. “Chego várias vezes, tipo, ah, sou seu fã, já, cara, comecei a correr, a minha autoestima mudou porque eu vi você correr numa competição, superando os limites”, relata.
Triatlo cresce na Beira-Mar
Além da corrida, o triatlo ganhou espaço na orla. A modalidade reúne corrida, natação e ciclismo e exige resistência. Criado na década de 1970, nos Estados Unidos, o esporte se espalhou pelo mundo e consolidou praticantes na capital cearense.
A atleta profissional Mikele Coelho destaca a relação com a cidade. A rotina de treinos começa cedo, passa pelo mar e pelas avenidas e termina na corrida.
“Eu digo que eu moro no paraíso. Eu amo, amo morar em Fortaleza. E cada vez mais a gente vê que Fortaleza está respirando esporte. Eu viajo o Brasil inteiro e fora do Brasil mesmo para competir, mas difícil trocar Fortaleza para viver e para treinar. Eu amo essa cidade”, declara.
Canoagem une inclusão e superação
A canoagem também ocupa espaço na capital. De origem milenar, o esporte exige força e conexão com a natureza. Em Fortaleza, a modalidade também representa inclusão.
O paratleta Elione Sousa foi eleito o melhor atleta do Ceará em 2025. Ele encontrou na canoagem uma nova perspectiva após um acidente de trânsito em 2010.
“Eu não escolhi a canoagem. A canoagem me escolheu. Eu sofri um acidente em 2010, um acidente de trânsito. E o esporte, em geral, ele apareceu nesse momento bem difícil da minha vida. O esporte me resgatou do asfalto. E hoje eu me sinto muito feliz, como professor de canoagem, passar um pouco de tudo que as pessoas fizeram comigo nesse período”, conta.
Para ele, o legado vai além das medalhas. “O esporte é transformador. A gente tem uma orla das mais bonitas do Brasil, tá? Entre as mais bonitas do mundo. A gente tem um esporte novo na nossa cidade que tá crescendo bastante. Então vem conhecer a orla da Beira Mar, né? Vem comemorar com a gente esses 300 anos da nossa cidade. Vem praticar esporte.”
Ao completar 300 anos, Fortaleza reafirma a vocação para o movimento. Do asfalto ao mar, o esporte ajuda a contar a história de uma cidade que não para.




