Dados do Monitor de Secas indicam que 68 municípios do estado do Ceará voltaram a registrar situação de seca extrema, em meio a registros abaixo da média para a pré-estação chuvosa. Com isso, há efetivamente um agravamento da seca no estado, principalmente nas regiões sul e leste.
Por outro lado, ainda segundo o Monitor, devido às chuvas acima da média na faixa litorânea, houve o abrandamento da seca na região, que passou de moderada para fraca. O levantamento é feito por instituições que monitoram o clima, incluindo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Ceará tem mais de 100 cidades com seca grave ou moderada
No restante do estado, há ainda 28 cidades com seca grave e 87 com situação de seca moderada. Trata-se, conforme os dados, da pior situação de seca no estado desde 2019, há sete anos.
Os dados são consolidados mensalmente pelo Monitor de Secas, iniciativa nacional que conta com a participação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) na elaboração dos mapas estaduais. O indicador classifica a estiagem em cinco níveis, que variam de seca fraca a seca excepcional.
O levantamento de janeiro mostra o retorno da seca extrema (S3) ao território cearense, situação que não era registrada havia sete anos. Além disso, 28 municípios estão em seca grave (S2), 87 em seca moderada (S1) e apenas um em seca fraca (S0).
Cidades do Ceará com seca extrema (S3)
- Abaiara
- Acarape
- Alto Santo
- Aracati
- Aracoiaba
- Araripe
- Aratuba
- Aurora
- Baixio
- Banabuiú
- Barbalha
- Barreira
- Barro
- Baturité
- Beberibe
- Boa Viagem
- Brejo Santo
- Canindé
- Capistrano
- Caridade
- Cascavel
- Choró
- Chorozinho
- Crato
- Ereré
- Fortim
- Guaramiranga
- Ibaretama
- Ibicuitinga
- Icapuí
- Icó
- Ipaumirim
- Iracema
- Itaiçaba
- Itapiúna
- Itatira
- Jaguaretama
- Jaguaribara
- Jaguaribe
- Jaguaruana
- Jardim
- Jati
- Lavras da Mangabeira
- Limoeiro do Norte
- Madalena
- Mauriti
- Milagres
- Missão Velha
- Morada Nova
- Mulungu
- Ocara
- Pacoti
- Palhano
- Penaforte
- Pereiro
- Porteiras
- Potiretama
- Quixadá
- Quixeramobim
- Quixeré
- Redenção
- Russas
- Salitre
- Santa Quitéria
- Santana do Cariri
- São João do Jaguaribe
- Tabuleiro do Norte
- Umari
Cidades do Ceará com seca grave (S2)
- Aiuaba
- Apuiarés
- Campos Sales
- Caririaçu
- Catunda
- Cedro
- General Sampaio
- Guaiúba
- Hidrolândia
- Horizonte
- Irauçuba
- Itaitinga
- Juazeiro do Norte
- Maranguape
- Milhã
- Monsenhor Tabosa
- Nova Olinda
- Orós
- Pacajus
- Palmácia
- Parambu
- Paramoti
- Pentecoste
- Potengi
- Sobral
- Solonópole
- Tamboril
- Tejuçuoca
Cidades do Ceará com seca moderada (S1)
- Acaraú
- Acopiara
- Alcântaras
- Altaneira
- Amontada
- Antonina do Norte
- Aquiraz
- Ararendá
- Arneiroz
- Assaré
- Barroquinha
- Bela Cruz
- Camocim
- Cariré
- Cariús
- Carnaubal
- Catarina
- Caucaia
- Chaval
- Coreaú
- Crateús
- Croatá
- Cruz
- Deputado Irapuan Pinheiro
- Eusébio
- Farias Brito
- Forquilha
- Fortaleza
- Frecheirinha
- Graça
- Granja
- Granjeiro
- Groaíras
- Guaraciaba do Norte
- Ibiapina
- Iguatu
- Independência
- Ipaporanga
- Ipu
- Ipueiras
- Itapajé
- Itapipoca
- Itarema
- Jijoca de Jericoacoara
- Jucás
- Maracanaú
- Marco
- Martinópole
- Massapê
- Meruoca
- Miraíma
- Mombaça
- Moraújo
- Morrinhos
- Mucambo
- Nova Russas
- Novo Oriente
- Pacatuba
- Pacujá
- Paraipaba
- Pedra Branca
- Pindoretama
- Piquet Carneiro
- Pires Ferreira
- Poranga
- Quiterianópolis
- Quixelô
- Reriutaba
- Saboeiro
- Santana do Acaraú
- São Benedito
- São Gonçalo do Amarante
- São Luís do Curu
- Senador Pompeu
- Senador Sá
- Tarrafas
- Tauá
- Tianguá
- Trairi
- Tururu
- Ubajara
- Umirim
- Uruburetama
- Uruoca
- Varjota
- Várzea Alegre
- Viçosa do Ceará
Cidade do Ceará com seca fraca (S0)
- Paracuru
Projeções para a quadra chuvosa
As projeções para a quadra chuvosa de 2026 preocupam. Conforme informado pela Funceme, o prognóstico climático para o trimestre (compreendendo os meses de fevereiro, março e abril) é de 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de níveis normais de chuvas; e 20% de probabilidade de chuvas acima da média.
A probabilidade de chuvas abaixo da média preocupa, conforme os analistas da Funceme, inclusive porque hoje a capacidade dos reservatórios do estado é considerada insuficiente.
Em janeiro, foram registrados, até o momento, apenas 10 mm, no estado como um todo; a média para o período, no entanto, é de 100 mm. Os registros de dezembro também foram abaixo da média para o Ceará: o acumulado médio observado no estado foi de 18,9 milímetros, enquanto a normal climatológica para o mês é de 31,3 milímetros, uma redução em torno de 40%.
Quadra chuvosa de 2025
A quadra chuvosa de 2025, que vai de fevereiro a maio, terminou com chuvas abaixo da média em 59,4% do território cearense, segundo balanço da Funceme. Apenas 5% do estado registrou precipitações acima da média. As regiões mais impactadas pela falta de chuva foram o Sertão Central e Inhamuns, Serra da Ibiapaba e Vale do Jaguaribe. O volume médio observado no estado foi de 517,6 milímetros, representando um desvio negativo de 15% em relação à média histórica, que varia de 512,5 mm a 705,9 mm.
Apesar do desempenho abaixo do esperado em boa parte do interior, algumas regiões tiveram situação confortável, como Acaraú, Coreaú, Litoral, Região Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Curu e Alto Jaguaribe, com volumes acima de 70% da capacidade dos reservatórios.
Após o fim da quadra chuvosa, 36 municípios cearenses tiveram reconhecimento de situação de emergência por conta de desastres naturais, como seca, estiagem, chuvas intensas, enxurradas e vendavais. Os dados constam no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (S2iD), do Governo Federal. O reconhecimento federal permite que os municípios afetados tenham acesso a recursos complementares para ações de resposta e reconstrução. Em casos de seca ou estiagem em cidades do Ceará ou em outros estados, o procedimento é necessário para integrar a Operação Carro-Pipa.




