Os furtos de cabos no Ceará provocaram 1.227 ocorrências na rede elétrica ao longo de 2025, segundo levantamento da Enel Ceará. O número representa alta de 16% em relação ao ano anterior e atingiu diretamente cerca de 447 mil imóveis no estado.
Fortaleza lidera o ranking de interrupções, com 504 registros. Em seguida aparecem Aquiraz (52), Caucaia (49), Beberibe (43) e Cascavel (ceara brazil) (33). Entre janeiro e dezembro, foram 202 quilômetros de cabos subtraídos, uma redução de 37% em relação ao ano anterior.
Apesar da queda na extensão furtada, a distribuidora identificou mudança no perfil da atuação criminosa. Em 2025, houve crescimento expressivo no furto e vandalismo de equipamentos como transformadores e bancos reguladores de tensão. Ao todo, 259 aparelhos foram levados. No caso dos bancos reguladores, o aumento ultrapassou 570% em um ano.
Furtos de cabos no Ceará e mudança no perfil do crime
De acordo com a empresa, as quadrilhas passaram a atuar também na rede de média tensão, o que exige ferramentas específicas, equipamentos de proteção e veículos para transporte do material. “O que nós identificamos ao longo dos anos foi uma especialização do crime de furto de cabos, chegando à rede de média tensão e a outros componentes”, afirmou Marcelo Gomes, responsável pelo Centro de Operações da companhia.
Para tentar conter o avanço das ocorrências, a distribuidora ampliou as ações em campo em 98% em 2025. Foram mais de 300 operações em sucatas e ferros-velhos para identificar materiais furtados e fraudes na rede elétrica. A partir dessas inspeções, 15 pessoas foram presas.
Além disso, a empresa passou a investir em equipes de rondas ostensivas e inteligência, em parceria com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará.
Nanotecnologia para identificar cobre furtado
A companhia também iniciou a aplicação de uma tecnologia inédita no estado para marcar cabos com uma tinta especial com “DNA” identificador. A pintura cria um código único vinculado à distribuidora e permanece no material mesmo após derretimento ou trituração do cobre.
“A tinta cria um código único vinculado à distribuidora que é bastante resistente, então, caso o cabo furtado seja comercializado de forma irregular será possível comprovar imediatamente que ele pertence à Enel”, explicou Marcelo Gomes.
Segundo a empresa, a marcação química deve facilitar o rastreamento do material e fortalecer a atuação dos órgãos de segurança pública na investigação e responsabilização dos envolvidos.
Paralelamente, a distribuidora substitui cabos de cobre por alumínio ou aço cobreado em áreas com maior incidência de furtos e amplia a automação da rede. Atualmente, 447 circuitos contam com recomposição automática e quase cinco mil equipamentos de telecontrole estão instalados no estado.
A empresa mantém uma central para recebimento de denúncias 24 horas por dia e orienta que a população comunique qualquer intervenção suspeita na rede elétrica.




