A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) emitiu um aviso meteorológico indicando possibilidade de chuvas intensas em diversas regiões do Ceará entre a noite desta terça-feira (10) e a manhã de quarta-feira (11). Segundo o órgão, algumas áreas do estado apresentam risco potencial de precipitações entre 20% e 40%, especialmente nas regiões noroeste, oeste e sul.
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As chuvas podem ocorrer acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento, principalmente em áreas com relevo mais elevado. O cenário meteorológico está associado à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pelas precipitações durante a quadra chuvosa no estado.
De acordo com a Funceme, a combinação de fatores atmosféricos pode favorecer a formação de nuvens carregadas e episódios de chuva mais intensa em diferentes pontos do território cearense, exigindo atenção da população em áreas mais suscetíveis a eventos climáticos.
Condições climáticas e sistemas atmosféricos influenciam precipitações
A quadra chuvosa no Ceará ocorre tradicionalmente entre os meses de fevereiro e maio, período em que sistemas atmosféricos atuam com maior intensidade sobre a região. Entre esses sistemas, a Zona de Convergência Intertropical desempenha papel fundamental na formação das chuvas, concentrando massas de ar úmido próximas à faixa equatorial.
Segundo a gerente de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, Meiry Sakamoto, outros sistemas atmosféricos também contribuíram para o regime de chuvas observado recentemente no estado.
Ela explicou que as precipitações registradas ao longo de fevereiro foram influenciadas principalmente pela atuação dos chamados vórtices ciclônicos de altos níveis (VCANs), fenômeno atmosférico que pode favorecer a formação de nuvens e instabilidades.
“As chuvas acumuladas em fevereiro foram ocasionadas, principalmente, pela atuação de vórtices ciclônicos de altos níveis ao longo do mês. Apesar disso, houve irregularidade espacial e temporal na distribuição das precipitações, o que é uma característica comum no semiárido”, afirmou a meteorologista.
Essa irregularidade ocorre porque as condições atmosféricas podem variar significativamente entre diferentes áreas do estado, fazendo com que alguns municípios registrem volumes expressivos de chuva enquanto outros apresentam precipitações mais reduzidas.
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Chuvas intensas no Ceará e desempenho da quadra chuvosa
Dados preliminares divulgados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos indicam que o Ceará encerrou fevereiro de 2026 — primeiro mês da quadra chuvosa — com precipitações acima da média climatológica.
O acumulado médio registrado no estado foi de aproximadamente 171 milímetros, volume cerca de 41% superior ao esperado para o período. Apesar do resultado positivo, especialistas destacam que o desempenho de um único mês não determina necessariamente o comportamento de toda a estação chuvosa.
Entre as macrorregiões que apresentaram maiores volumes de chuva estão o Cariri e a Ibiapaba. No Cariri, o acumulado mensal chegou a 271,5 milímetros, enquanto na Ibiapaba foram registrados 222,7 milímetros. Em ambas as áreas, os índices ficaram acima da normal climatológica.
Segundo Meiry Sakamoto, o posicionamento dos sistemas atmosféricos teve influência direta nesses resultados. “O posicionamento dos VCANs, com sua borda sobre a porção sul do estado, favoreceu a formação das nuvens de chuva, especialmente sobre o Cariri. Já na Ibiapaba, além da topografia, o deslocamento de áreas de instabilidade formadas no Piauí contribuiu para as precipitações”, explicou.
Apesar do volume de chuvas registrado em fevereiro, a Funceme reforça que o resultado não altera o prognóstico climático divulgado no início do ano para o trimestre fevereiro, março e abril.
“O prognóstico não se refere a um mês isolado, mas ao acumulado do período. Além disso, no semiárido nordestino é comum que, mesmo dentro de cenários menos otimistas, ocorram períodos com chuvas mais expressivas devido à irregularidade típica das precipitações”, destacou a meteorologista.
A Funceme segue monitorando as condições atmosféricas e atualizando os avisos meteorológicos conforme a evolução dos sistemas climáticos que influenciam o regime de chuvas no Ceará.
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