A Fundação do Rim, organização social sem fins lucrativos que atua no apoio a pacientes renais no Ceará, promove no próximo dia 12 de março, data em que é celebrado o Dia Mundial do Rim, uma campanha de prevenção e conscientização em Fortaleza. A ação será realizada das 10h às 18h, no shopping Del Paseo, com atendimento gratuito ao público, incluindo verificação de pressão arterial, teste de glicemia, exame de creatinina, avaliação nutricional e avaliação clínica. O objetivo é alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce da doença renal crônica.
A iniciativa faz parte das ações permanentes da Fundação do Rim voltadas à prevenção e ao acompanhamento de pacientes que convivem com problemas renais. A instituição também desenvolve projetos sociais que beneficiam cerca de 300 famílias, oferecendo apoio que vai desde assistência social até capacitação profissional.
Além das campanhas educativas, a entidade atua na reinserção social de pacientes que passaram por tratamento renal substitutivo, como hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal.
Fundação do Rim reforça prevenção da doença renal crônica
Segundo o presidente da Fundação do Rim, Paulo Rossas Mota, a prevenção ainda é a principal forma de reduzir os impactos da doença renal crônica.
"A gente faz campanhas, usa nossa mídia para divulgar a prevenção, a importância do diagnóstico precoce e o tratamento adequado", explica.
Durante a ação no shopping Del Paseo, profissionais de diferentes áreas da saúde estarão disponíveis para orientar a população sobre fatores de risco e cuidados com a saúde dos rins.
"Nós faremos no shopping Del Paseo, das 10 da manhã até as 18 horas, uma campanha com atendimento multiprofissional. Então ele recebe essa orientação e caso seja identificado que ele tem algum risco, ele é orientado a procurar um especialista", acrescenta o presidente da instituição.
Paciente transplantado celebra nova vida após tratamento renal
A trajetória do técnico em logística Leandro Dantas ilustra a realidade enfrentada por muitos pacientes renais. Ainda na infância, ele conviveu com um problema congênito no canal da uretra, condição que com o tempo comprometeu o funcionamento dos rins.
Já adulto, recebeu o diagnóstico de doença renal e passou a enfrentar a rotina intensa da diálise, tratamento que substitui parcialmente a função renal.
Há três anos, Leandro conseguiu realizar o transplante de rim. Hoje, segue em acompanhamento médico e celebra a recuperação e a possibilidade de retomar a rotina.
"Foi um momento que me marcou muito. porque eu tive que sair um pouco para fazer essa cirurgia para depois retornar para casa e vê-lo lá com saúde e eu com saúde para cuidar dele."
Para ele, a maior motivação é acompanhar o crescimento do filho e ter a chance de viver uma vida considerada normal após o transplante.
Doença renal crônica atinge milhões de pessoas
A doença renal crônica é considerada um dos grandes desafios de saúde pública no mundo. Estudos internacionais apontam que uma em cada dez pessoas convive com algum grau da doença.
O problema, segundo especialistas, é que o avanço costuma ocorrer de forma silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce.
A médica nefrologista Regina Garcia explica que diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
"Os riscos para a doença renal, hipertensão arterial, diabetes mérito, obesidade, histórias já familiares de cálculos renais não cuidados, e outras doenças que também acometem o rim que são de caráter genético."
Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, o paciente passa a depender de terapias que substituem a função renal, como a diálise ou o transplante.
Transplante renal ainda enfrenta desafio da doação de órgãos
No Brasil, são realizados cerca de 6.500 transplantes de rim por ano. No Ceará, a média anual é de aproximadamente 250 procedimentos, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde.
Mesmo assim, a fila de espera por um órgão ainda é grande. Atualmente, cerca de 1.500 pessoas aguardam um transplante renal no estado.
O Hospital Geral de Fortaleza (HGF) é referência nesse tipo de cirurgia no Ceará. De acordo com o chefe do serviço de transplante renal da unidade, Ronaldo Esmeraldo, a tecnologia tem contribuído para melhorar a qualidade dos procedimentos.
"O objetivo principal é transplantar com qualidade, especialmente diante das tecnologias. Nós temos aqui as máquinas de perfusão que conseguem dar uma melhor qualidade desses rins de doadores falecidos."
Somente no HGF, 120 transplantes renais foram realizados em 2025. No entanto, o número poderia ser maior caso houvesse mais autorizações para doação de órgãos.
Um dos pacientes que conseguiu realizar o procedimento recentemente é Pedro Silva, de 18 anos. Ele aguardou menos de um mês na fila de transplante e recebeu o novo rim no último sábado.
"Uma vitória muito grande em saber que eu ia receber o rim e sair da diálise."
A decisão da família do doador foi determinante para que o transplante fosse possível. Para Maria do Livramento, auxiliar de serviços gerais, a doação de órgãos pode transformar o sofrimento em esperança.
"Eu quero dizer que perder alguém é muito triste, mas dar a vida a alguém é melhor ainda. E quando você sabe que tem um paciente à espera de um órgão, e o seu filho que já não volta mais ou já não tem chance de viver pode estar trazendo essa alegria para outra família, seja um doador."
Além da conscientização sobre a doação de órgãos, a campanha promovida pela Fundação do Rim busca reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular para evitar o agravamento das doenças renais.




