Durante a visita técnica, os profissionais da ANP e da Semace orientaram os moradores sobre medidas de segurança e preservação ambiental
ANP visita sítio no interior do Ceará após possível descoberta de petróleo em poço perfurado por agricultor
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou, nesta quinta-feira (12), uma visita técnica ao sítio onde um agricultor pode ter encontrado um poço de petróleo enquanto perfurava o solo em busca de água, no município de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. A área pertence à família do agricultor Sidrônio Moreira, que havia comunicado a possível descoberta à agência em julho de 2025.

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A equipe da ANP esteve no local aproximadamente sete meses após o primeiro contato da família com o órgão regulador. Durante a visita, os técnicos realizaram uma inspeção preliminar no poço de onde a substância emergiu e conversaram com os moradores para orientá-los sobre os cuidados necessários com o material encontrado.
A ação contou também com a participação de técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace). Apesar da inspeção, os agentes não recolheram amostras do líquido durante esta visita.
Técnicos avaliam local e orientam moradores
Durante a visita técnica, os profissionais da ANP e da Semace verificaram as condições do poço perfurado e orientaram os moradores sobre medidas de segurança e preservação ambiental.
Segundo os técnicos, a área deve permanecer isolada e os moradores devem evitar qualquer contato com a substância, pois o material pode representar riscos. A recomendação inclui também impedir o acesso de outras pessoas ao poço e evitar a retirada de novas amostras do líquido até que análises oficiais sejam realizadas.
A ANP recomendou ainda que a família siga as orientações ambientais emitidas pela Semace enquanto o processo de investigação estiver em andamento.
A visita teve caráter inicial de orientação e levantamento de informações. A equipe informou que os dados já coletados por instituições de pesquisa serão reunidos e analisados pela agência reguladora.
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Visita da ANP após possível descoberta de petróleo
A possível presença de petróleo no local já vinha sendo estudada por pesquisadores do Instituto Federal do Ceará (IFCE). Análises laboratoriais preliminares indicaram que a amostra do líquido encontrada possui características físico-químicas semelhantes às do petróleo extraído em jazidas da região vizinha do Rio Grande do Norte.
Apesar dos resultados iniciais, a confirmação oficial da presença de petróleo só pode ser feita pela ANP, responsável pela regulação do setor de petróleo e gás no país.
Segundo a equipe técnica que esteve no local, a agência deverá reunir as informações já obtidas pelo IFCE, mas uma nova equipe da ANP deverá retornar posteriormente ao sítio para coletar amostras da substância e realizar análises próprias em laboratório credenciado.
O relatório final poderá confirmar ou descartar a existência de petróleo na área. Até o momento, não há prazo definido para a conclusão da investigação.
Substância foi encontrada durante perfuração por água
A substância semelhante a petróleo foi descoberta de forma acidental em novembro de 2024. Na ocasião, o agricultor Sidrônio Moreira realizava a perfuração de um poço na propriedade localizada na comunidade de Sítio Santo Estevão, na zona rural de Tabuleiro do Norte.
O objetivo da perfuração era encontrar água para abastecer os animais da propriedade. Durante o processo, um líquido escuro começou a emergir do buraco aberto no solo.
Um vídeo gravado pela família registra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada realizam a perfuração do primeiro poço. Nas imagens, quando o líquido escuro começa a sair do solo, o agricultor inicialmente comemora, acreditando que se tratava de água. Posteriormente, porém, a família percebeu que a substância possuía características diferentes e poderia ser petróleo.
Região fica próxima à Bacia Potiguar
Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, o município de Tabuleiro do Norte está situado na região do Vale do Jaguaribe, próximo à divisa com o Rio Grande do Norte.
A área fica nas proximidades da Bacia Potiguar, uma importante região de exploração petrolífera localizada entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Apesar dessa proximidade geográfica, o território de Tabuleiro do Norte não está incluído atualmente em nenhum bloco oficial de exploração de petróleo. Ainda assim, o local onde a substância foi encontrada fica a aproximadamente 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo.
A combinação entre a localização geográfica e os resultados preliminares das análises feitas pelo IFCE levantou a hipótese de que pode haver petróleo na região.
Comunicação à ANP ocorreu em 2025
Após a descoberta do líquido, a família do agricultor e pesquisadores do IFCE procuraram a ANP em julho de 2025 para informar o possível achado.
De acordo com o relato, o órgão regulador não havia se manifestado até então. Somente em 25 de fevereiro deste ano, após questionamento da imprensa, a agência informou que abriria um procedimento administrativo para investigar o caso.
A ANP destacou que não há prazo definido para a conclusão da análise.
Mesmo que a presença de petróleo seja confirmada, o agricultor não poderá explorar ou comercializar o recurso. De acordo com a legislação brasileira, todas as riquezas minerais encontradas no subsolo pertencem à União.
Assim, caso o petróleo seja confirmado, caberá à ANP avaliar as condições da área, incluindo características do subsolo, extensão da possível jazida e composição química do material encontrado.
Exploração depende de viabilidade econômica
As análises realizadas pelo IFCE e pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) indicaram que o líquido encontrado em Tabuleiro do Norte é um tipo de hidrocarboneto com densidade, viscosidade, cor e odor semelhantes aos do petróleo extraído em áreas próximas.
No entanto, apenas análises realizadas por laboratório credenciado pela ANP poderão confirmar oficialmente a natureza da substância.
Mesmo que a presença de petróleo seja comprovada, isso não significa necessariamente que a exploração comercial da área será realizada. Após a confirmação e delimitação de eventuais jazidas, a ANP pode dividir a região em blocos de exploração, que posteriormente são leiloados para empresas interessadas.
Em diversos casos, áreas com potencial petrolífero acabam não sendo exploradas por falta de interesse de investidores. Entre os fatores que influenciam essa decisão estão o tamanho da jazida, a dificuldade de extração, os custos de implantação da operação e a qualidade do petróleo, que pode exigir processos de refino mais caros.
Leia também | Agricultor encontra possível reserva de petróleo no interior do Ceará; IFCE investiga fonte do combustível fóssil
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