A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil foi alvo de críticas do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também é apontado como pré-candidato à Presidência da República. Durante participação no programa Canal Livre, o político afirmou que a redução da jornada de trabalho sem aumento prévio da produtividade pode provocar impactos negativos na economia do país, classificando a iniciativa como um possível “suicídio econômico”.
O debate reuniu governadores cotados para disputar a Presidência. Além de Leite, participaram Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Os três foram questionados sobre o cenário econômico brasileiro e sobre a proposta em discussão no Congresso que pretende reduzir a jornada semanal de trabalho.
Diagnóstico sobre produtividade no Brasil
Durante a entrevista, Eduardo Leite apresentou um diagnóstico sobre o desempenho econômico brasileiro e argumentou que a produtividade do trabalhador no país cresce de forma muito lenta. Segundo ele, nas últimas décadas o avanço médio foi de aproximadamente 0,5% ao ano.
O governador comparou esse desempenho com o de outros países. De acordo com ele, na mesma janela de tempo, o Chile apresentou crescimento médio de 1,5% na produtividade, enquanto economias mais desenvolvidas, como Estados Unidos e Coreia do Sul, registraram aumento próximo de 3% ao ano.
Para Leite, esse cenário revela um problema estrutural que precisa ser enfrentado antes de discutir mudanças na jornada de trabalho. Na avaliação do governador, qualquer debate sobre redução da carga horária deveria ocorrer apenas após avanços concretos na capacidade produtiva do país.
Durante a participação no programa, ele afirmou que “antes de falar sobre ajustes na carga horária ou na jornada de trabalho, o país precisa ganhar produtividade”. O governador também alertou que adotar uma redução de jornada sem esse avanço poderia comprometer a economia nacional.
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Escala 6x1 e críticas de Eduardo Leite à proposta
A escala 6x1 é um modelo de organização da jornada de trabalho em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso na semana. Esse formato é comum em diversos setores da economia brasileira, especialmente em atividades do comércio e serviços.
Dados citados durante o debate indicam que sete em cada dez trabalhadores no Brasil cumprem jornadas semanais de até 44 horas, frequentemente organizadas nesse tipo de escala. A carga de trabalho tende a ser mais elevada entre trabalhadores com menor escolaridade e com salários mais baixos.
A proposta em discussão no Congresso prevê a redução da jornada máxima semanal para 36 horas. A mudança abriria caminho para o fim da escala 6x1, ampliando o período de descanso dos trabalhadores.
Ao comentar a proposta, Eduardo Leite afirmou que a medida, se implementada sem considerar o nível de produtividade do país, poderia trazer consequências negativas. Segundo ele, o Brasil não possui atualmente capacidade produtiva comparável à de países que adotaram jornadas menores.
Na avaliação do governador, caso o país avance nessa direção de forma precipitada ou motivada por interesses eleitorais, a economia poderia sofrer impactos relevantes. Por esse motivo, ele classificou a medida como potencialmente prejudicial ao crescimento econômico.
Tramitação da proposta no Congresso Nacional
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ocorre atualmente na Câmara dos Deputados por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto busca alterar a legislação para estabelecer o limite de 36 horas semanais.
Em fevereiro deste ano, o presidente da Câmara, Hugo Motta, encaminhou a proposta para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso seja considerada admissível, o texto ainda deverá passar por uma comissão especial antes de seguir para votação no plenário da Casa.
Motta afirmou que existe a possibilidade de a matéria ser analisada pelos deputados ainda no primeiro semestre, com expectativa de votação em plenário no mês de maio.
O governo federal também acompanha o andamento das discussões. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, já declarou que o Executivo pode enviar ao Congresso um projeto de lei com pedido de urgência para tratar do tema.
Segundo o ministro, a intenção seria unificar as diferentes propostas que tramitam no Legislativo caso as discussões atuais não avancem no ritmo considerado adequado pelo governo.
O debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho tem mobilizado parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas em economia. A discussão envolve impactos sobre produtividade, condições de trabalho e crescimento econômico, temas que devem continuar no centro das discussões no Congresso Nacional nos próximos meses.




