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Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio de Janeiro na véspera de julgamento do TSE

A renúncia acontece em um momento decisivo para o governador, que pretende disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições

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23 de março de 2026
Portal GCMAIS

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23), em cerimônia realizada no Palácio da Guanabara. A saída ocorre na véspera da retomada do julgamento do caso Ceperj no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), processo que pode tornar o ex-chefe do Executivo estadual inelegível por suspeita de abuso de poder político e econômico. Castro comunicou a decisão a aliados e afirmou que deixará o governo para seguir novos projetos políticos.

Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio de Janeiro na véspera de julgamento do TSE
Foto: Reprodução

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A renúncia acontece em um momento decisivo para o governador, que pretende disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições. Pela legislação eleitoral, ele precisava deixar o cargo até o início de abril para poder concorrer. Segundo interlocutores, a antecipação da saída também busca reduzir impactos do julgamento no TSE, que será retomado nesta terça-feira (24), e que pode resultar na cassação do mandato. Durante o pronunciamento de despedida, Castro afirmou que encerra o ciclo “de cabeça erguida” e agradeceu o período à frente do estado.

Mudança no comando do Rio e eleição indireta após renúncia no governo

Com a renúncia, o comando do estado passa por uma reorganização na linha sucessória. Como o Rio de Janeiro não conta atualmente com vice-governador e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) está afastado, a chefia do Executivo será assumida de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto. Ele ficará responsável pela condução temporária do governo.

Pela legislação vigente, o magistrado deverá organizar uma eleição indireta na Alerj para escolha de um governador tampão. Nesse processo, os deputados estaduais irão votar para definir quem comandará o estado até a realização de novas eleições regulares. A transição deve ocorrer nos próximos dias, conforme os trâmites legais estabelecidos.

 

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Cláudio Castro renúncia governo do Rio e cenário político

A saída de Cláudio Castro ocorre em meio a um cenário político marcado por disputas internas e investigações judiciais. No pronunciamento realizado no Palácio da Guanabara, o governador fez um balanço da gestão, mencionou obras e ações na área de segurança pública e relembrou sua trajetória política, iniciada como vice-governador eleito em 2018 na chapa de Wilson Witzel, assumindo posteriormente o cargo após o impeachment do titular.

Castro também destacou sua reeleição em 2022 e afirmou ter superado um cenário de baixa projeção eleitoral inicial. Em discurso, mencionou adversários políticos e fez referência ao ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que deve disputar a sucessão estadual. No fim de semana, Paes havia afirmado que a renúncia representaria uma tentativa de escapar de responsabilizações no TSE.

Durante a cerimônia de despedida, o governador também citou operações de segurança realizadas durante sua gestão, incluindo uma megoperação no Complexo da Penha, em outubro do ano passado, que teve grande repercussão. Segundo ele, ações como essa reforçaram a política de enfrentamento ao crime organizado no estado.

Processo no TSE e investigação do caso Ceperj

O caso que será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral envolve acusações de abuso de poder político e econômico relacionadas às eleições de 2024. O Ministério Público Eleitoral aponta irregularidades na contratação de cabos eleitorais por meio da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj), vinculada ao governo estadual.

Além de Cláudio Castro, o processo também envolve o ex-vice-governador Thiago Pampolha, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Segundo a acusação, os recursos públicos teriam sido utilizados de forma indevida durante o período eleitoral.

A investigação já provocou desdobramentos políticos no estado. Pampolha deixou o cargo de vice-governador no ano passado após articulações políticas envolvendo a sucessão estadual e uma possível candidatura de aliados de Castro ao governo. Posteriormente, novas mudanças na composição política estadual alteraram o cenário de alianças.

Eleição indireta e disputas políticas no estado

A definição do novo governador interino do Rio de Janeiro ocorrerá por meio de eleição indireta na Alerj. Inicialmente, aliados de Castro esperavam indicar o ex-secretário de Cidades Douglas Ruas para a disputa do mandato-tampão. No entanto, uma decisão liminar do ministro Luiz Fux alterou as regras do processo ao exigir desincompatibilização de cargos públicos com antecedência de 180 dias.

A mudança inviabiliza parte das articulações políticas em curso, já que as regras anteriormente aprovadas pela Assembleia permitiam afastamento apenas 24 horas antes da votação. A decisão também impacta outros nomes cotados para a disputa, como o ex-secretário André Ceciliano.

Enquanto isso, o processo de transição no governo fluminense segue em andamento, com expectativa de definição da eleição indireta nos próximos dias, após os trâmites formais de posse do presidente do Tribunal de Justiça como governador interino.

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