O bairro Bom Jardim, em Fortaleza, completa 65 anos neste mês de março marcado por histórias de migração, crescimento e transformação urbana. Surgido para atender à demanda por moradia de famílias vindas do interior, o local se consolidou como uma das maiores áreas da Capital. Atualmente, reúne comércio ativo, serviços públicos e uma forte identidade comunitária. A trajetória do bairro também integra as comemorações pelos 300 anos de Fortaleza.
Ao longo das décadas, o Bom Jardim deixou para trás a realidade de ruas de terra e infraestrutura precária. Hoje, a região concentra supermercados, escolas, unidades de saúde e serviços essenciais que atendem diretamente a população local. Assim, muitos moradores resolvem a rotina sem precisar se deslocar para outras áreas da cidade.
A dona de casa Rosana de Araújo relembra a chegada ao bairro ainda na década de 1970 e destaca as mudanças. Ela conta que, na época, não havia ônibus nem pavimentação, e predominava o barro vermelho. “Eu cheguei aqui em 1970. E hoje a gente vê evolução. Eu fico até emocionada, porque quem chegou aqui não tinha ônibus, era lama, não tinha asfalto”, relata. Em seguida, ela reforça que a realidade mudou completamente. “Hoje a gente só vai pro centro se quiser. Aqui temos bom mercantil, boas farmácias, tudo aqui tem”, afirma Rosana.
Crescimento do Bom Jardim acompanha expansão de Fortaleza
O processo de ocupação do bairro começou ainda na década de 1950, período de forte crescimento urbano da Capital. Na época, surgiram loteamentos destinados principalmente a famílias afetadas pelo êxodo rural. Desde então, o Bom Jardim passou por um crescimento contínuo.
A dona de casa Maria Madalena Nobre destaca a relação afetiva com o bairro. Natural de Morada Nova, ela lembra da mudança com a família e afirma que construiu sua vida na região. “A gente veio morar no Bom Jardim, e eu adoro o bairro”, resume.
Moradores mais antigos fazem comparações entre o passado e o presente para evidenciar as melhorias. A dona de casa Lúcia Santos aponta avanços no comércio e no transporte público. Segundo ela, antes não havia asfalto e os ônibus eram escassos. “Evoluiu muito, principalmente os supermercados, farmácias e o comércio em geral”, diz Lúcia.
Já o desempregado Paulo Santos recorda as dificuldades com serviços básicos. Ele explica que, no passado, faltavam água encanada e energia de qualidade. “Hoje é diferente. Nós temos água potável e melhores condições”, afirma Paulo.
Serviços e ações marcam aniversário do Bom Jardim
Além da estrutura consolidada, o bairro também abriga a sede da Regional 5, responsável por atender comunidades do entorno, como Granja Lisboa, Granja Portugal, Siqueira e Canindezinho. O órgão oferece serviços públicos e funciona como porta de entrada para demandas da população.
O secretário da Regional 5, Jovanil Oliveira, explica que o espaço reúne diversos atendimentos. Segundo ele, são ofertados serviços como mediação de conflitos, atualização do Cadastro Único e acesso a programas sociais. “Também é possível solicitar serviços de infraestrutura, como iluminação e poda. Todos os serviços municipais podem ser requeridos aqui”, destaca o secretário.
Durante as comemorações pelos 65 anos, a Regional promoveu ações com oferta de serviços gratuitos. A desempregada Rosimeire Sousa aproveitou a oportunidade para cuidar da autoestima. Ela conta que participou das atividades de beleza e ficou satisfeita com o resultado. “Eu pintei a unha, fiz maquiagem, arrumei o cabelo e amei”, relata Rosimeire.
Com cerca de 41 mil moradores, o Bom Jardim mantém características próprias, como o comércio que fecha ao meio-dia, lembrando cidades do interior. Ao mesmo tempo, preserva espaços de lazer e contato com a natureza, como a Lagoa da Viúva, considerada um refúgio na área urbana.
Para quem vive no bairro, o principal patrimônio está nas relações construídas ao longo do tempo. A dona de casa Eurimar Lins destaca o vínculo com a vizinhança. “Meus vizinhos são maravilhosos. Eu não quero sair daqui nunca mais”, afirma.
A confeiteira Ana Carla reforça o espírito leve da comunidade e a valorização da alegria no cotidiano. Ela diz que a dança e o samba fazem parte da vida no bairro. “Enquanto a gente samba, a gente está vivendo. Tristeza não leva ninguém pra frente”, conclui Ana Carla.




