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Fala de Lula em entrevista para TV Cidade/Record irrita senadores, diz O Globo; entenda polêmica

Fala foi vista nos bastidores como um “ruído” em um momento em que o Planalto busca reduzir resistências no Senado

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Fala de Lula em entrevista para TV Cidade/Record irrita senadores, diz O Globo; entenda polêmica
Foto: GCMais

A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que senador “pensa que é Deus”, provocou reação imediata de líderes e parlamentares e intensificou a tensão política no Congresso em um momento crítico para o governo, às vésperas da análise da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita nesta quarta-feira (1º), em entrevista à TV Cidade/Record,  quando o presidente defendia a necessidade de ampliar alianças no Legislativo.

Repercussão da declaração e reação dos senadores

Segundo reportagem do Jornal O Globo, a fala de Lula foi vista nos bastidores como um “ruído” em um momento em que o Planalto busca reduzir resistências no Senado. Parlamentares afirmam que a generalização da crítica pode atingir senadores fora da oposição, grupo que concentra votos decisivos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A oposição reagiu de forma contundente: o líder do PL no Senado, Rogério Marinho, afirmou que declarações como essa favorecem o adversário, enquanto Hamilton Mourão, vice-líder do Republicanos, avaliou que a fala pode gerar mais resistência à aprovação de Messias. Senadores de centro, como Alessandro Vieira, adotaram postura mais moderada, ponderando que o episódio dificilmente impactará diretamente a agenda do governo, embora reconheçam dificuldades na articulação política.

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Entre parlamentares governistas, a declaração também foi considerada “infeliz”, principalmente pelo timing. O episódio se soma a uma relação já desgastada entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que ainda não foi totalmente recuperada desde a indicação de Messias, em novembro, contrariando a preferência de Alcolumbre e de parte da cúpula do Senado pelo nome do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco. Nos bastidores, aliados afirmam que Alcolumbre não deve reagir publicamente, mas seguirá mantendo distância em relação ao conflito.

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Impactos políticos e articulação do governo

A declaração ocorre em um momento em que o governo enfrenta desafios de coordenação no Congresso. Além da indicação de Messias, a tramitação de propostas como a PEC da Segurança Pública enfrenta obstáculos, permanecendo parada na mesa de Alcolumbre antes de ser enviada à CCJ, etapa necessária para a análise formal. Parlamentares do MDB, PSD e União Brasil, ouvidos sob reserva, afirmam que a fala de Lula pode esfriar negociações e dificultar a construção de consensos, principalmente entre senadores indecisos sobre a indicação ao STF.

Outros congressistas interpretaram a declaração como uma crítica voltada à própria base do governo, segundo o vice-líder do PP no Senado, Esperidião Amin. Em contraponto, senadores como Angelo Coronel relativizaram o impacto da fala sobre a indicação, afirmando que o estilo de Messias é independente da relação com o presidente.

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O episódio evidencia a necessidade de recomposição da articulação política por parte do Planalto, especialmente diante de votações estratégicas que dependem de alianças no Senado. O governo, segundo interlocutores, precisa equilibrar críticas e diálogo para não comprometer agendas prioritárias e garantir avanços legislativos essenciais nas próximas semanas.

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