Mais de uma década após uma tragédia que marcou Fortaleza, o Tribunal do Júri decidiu absolver Davi de Lima Gadelha, acusado de causar um acidente na Via Expressa que resultou na morte de duas pessoas e deixou outras 15 feridas, entre elas uma bebê de um ano.
A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença, formado por jurados populares, que considerou o réu inocente. Davi já respondia ao processo em liberdade. O Ministério Público do Ceará (MPCE) informou que recorreu da decisão.
O acusado respondia por dois homicídios dolosos, por dolo eventual, quando se assume o risco de matar mesmo sem intenção direta. Já os crimes relacionados às lesões corporais das demais vítimas haviam prescrito.
Defesa aponta condições da via e ausência de provas
A defesa, representada pelos advogados Leandro Vasques e Holanda Segundo, sustenta que "embora o acusado houvesse ingerido certa quantidade de bebida alcoólica muitas horas antes do acidente, ele se submeteu a todos os exames, tendo o exame clínico realizado no IML atestado que não havia nenhum sinal de alteração na sua capacidade psicomotora".
Segundo os advogados, não há comprovação de excesso de velocidade no momento do acidente. "pelo contrário, havia um fotossensor 100 metros antes do local, o qual não registrou velocidade acima da permitida pelo veículo".
Eles também destacaram as condições da via: "O local se tratava de uma curva muito fechada em declive, onde havia ocorrido 10 outros acidentes similares no último ano, só tendo a Prefeitura instalado defensas metálicas após o trágico acidente".
O advogado Leandro Vasques acrescenta que "por pura infelicidade, a qual o acusado não tinha como prever, naquela noite um estabelecimento comercial estava promovendo um evento festivo com dezenas de mesas e cadeiras irresponsavelmente dispostas em pleno canteiro central da Via Expressa, em um local conhecido pela população como Curva da Morte". Após a decisão em primeira instância, o caso deve ser analisado por desembargadores do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Relembre a tragédia na Via Expressa
O acidente aconteceu em 16 de junho de 2013, enquanto pessoas comemoravam em um bar a vitória do Brasil por 3 a 0 contra o Japão, na abertura da Copa das Confederações. Na ocasião, o mecânico Antônio Venícius de Souza Cavalcante, de 40 anos, morreu no local. Já a empregada doméstica Leuda Ferreira de Souza, de 52 anos, chegou a ser socorrida e levada ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos.
"Foi uma mistura de susto e pânico, pois a gente teve noção de que tinha ocorrido uma tragédia", disse uma das testemunhas que estava no local. Davi conduzia um veículo modelo Fiesta Sedan, que ficou destruído após as colisões. Após o acidente, populares ainda tentaram linchar o motorista, que foi protegido por policiais militares e levado à delegacia. No 34º Distrito Policial, o suspeito foi autuado em flagrante.




