O preço da cesta básica em Fortaleza subiu 2,36% no mês de março e passou a custar R$ 727,46. Os dados fazem parte da pesquisa mensal feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que também apontou que o valor acumula a maior inflação do Brasil em 12 meses, com alta de 9,69%.
O avanço no custo dos alimentos foi impulsionado principalmente por produtos essenciais no dia a dia da população. O tomate registrou a maior alta, com aumento de 14,76%, seguido pela banana, que subiu 11,19%. O café também teve elevação significativa, de 7%, enquanto o pão apresentou variação positiva de 2,83%, contribuindo para pressionar o orçamento das famílias.
Em contrapartida, parte dos itens apresentou redução de preços no mesmo período. O arroz teve queda de 7,21% e o óleo recuou 6,17%. Também ficaram mais baratos o feijão, a manteiga, o açúcar, o leite, a carne e a farinha, com reduções que variaram entre 0,56% e 4,04%.
Cenário nas capitais
Na comparação com outras capitais brasileiras, Fortaleza aparece na 11ª posição entre as cestas básicas mais caras do país. Apesar disso, lidera entre as capitais do Norte e Nordeste. No acumulado dos três primeiros meses do ano, duas cidades nordestinas concentram as maiores altas: Salvador registra aumento de 8,51%, seguida por Fortaleza, com 7,97%.
O levantamento também evidencia o peso crescente da alimentação no orçamento das famílias, especialmente nas regiões com menor renda média. Mesmo fora do topo do ranking nacional, o custo da cesta básica compromete uma parcela significativa dos rendimentos mensais.
Salário e peso no orçamento
O estudo do Dieese aponta ainda que o salário mínimo necessário para garantir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.398,94 em março, valor equivalente a 4,87 vezes o mínimo vigente, fixado em R$ 1.518.
A diferença entre o salário recebido e o considerado ideal se reflete no tempo de trabalho necessário para adquirir os itens da cesta básica. Em março, foram necessárias 106 horas e 19 minutos de trabalho para um trabalhador remunerado pelo piso nacional, quase duas horas a mais do que em fevereiro.
Quando se considera o salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência Social, o comprometimento com a cesta básica ultrapassa metade da renda. Em Fortaleza, esse percentual chegou a 51,81%, o maior entre as capitais do Norte e Nordeste. No cenário nacional, São Paulo apresenta o maior impacto, com 62,72% do rendimento destinado à compra dos alimentos básicos.
Os dados mostram que, mesmo com a redução de alguns itens, o custo da alimentação continua elevado e segue como um dos principais desafios para o orçamento das famílias brasileiras.




