Uma mulher de 26 anos foi presa em flagrante em Fortaleza sob suspeita de forjar o próprio sequestro na tentativa de esconder o envolvimento em um esquema de golpes. O caso, investigado pela Polícia Civil, chamou a atenção pela complexidade e pela tentativa de inverter o papel entre vítima e suspeita.
De acordo com as investigações, a mulher registrou um boletim de ocorrência alegando ter sido sequestrada e agredida. No relato, ela afirmou que uma mulher que se passou por policial a retirou de sua residência e a levou até uma casa onde homens encapuzados a ameaçaram. Após o suposto crime, ela disse ter sido liberada e que os sequestradores teriam chamado um carro por aplicativo para levá-la de volta para casa.
Investigação da Polícia Civil revela que suspeita tentou incriminar vítimas de fraude
O caso começou a ser apurado na manhã da quarta-feira (8), quando equipes da Delegacia Antissequestro (DAS) iniciaram diligências para localizar os supostos criminosos. No entanto, à medida que a investigação avançava, inconsistências no depoimento começaram a surgir, levando os policiais a aprofundarem as apurações.
A reviravolta ocorreu quando os investigadores identificaram que as pessoas apontadas como sequestradoras eram, na verdade, vítimas de um golpe. Tratava-se da dona e de um funcionário de uma loja de celulares localizada no Centro da capital cearense.
Segundo a apuração, a mulher havia vendido uma conta bancária digital em seu nome por R$ 50 a um conhecido. Essa conta foi posteriormente utilizada para aplicar golpes contra a loja. Ao perceberem a fraude, a dona e o funcionário conseguiram rastrear a titular da conta e foram até a residência da suspeita para cobrar explicações.
No encontro, a mulher alegou que sua conta havia sido fraudada. Diante da situação, a comerciante decidiu levá-la até uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Foi após esse primeiro registro que a jovem procurou novamente a polícia, desta vez inventando a história do sequestro.
Durante os depoimentos, a dona da loja e o funcionário apresentaram provas do golpe e esclareceram que apenas conduziram a mulher até a delegacia, sem qualquer prática de violência ou ameaça. Confrontada com as evidências, a suspeita acabou confessando que havia vendido a conta bancária e que inventou o sequestro.
Justiça concede liberdade com medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica
Ela afirmou que tomou a decisão por medo de represálias do homem que comprou a conta, que, segundo seu relato, teria ligação com uma facção criminosa. O receio de que ele descobrisse sua colaboração com a polícia teria motivado a falsa denúncia.
A mulher foi autuada pelo crime de denunciação caluniosa. A prisão em flagrante ocorreu no bairro Itaperi, mas, após audiência de custódia realizada na quinta-feira (9), a Justiça concedeu liberdade provisória. Como medidas cautelares, ela deverá usar tornozeleira eletrônica e permanecer em casa durante o período noturno. O caso segue sob investigação para identificar outros possíveis envolvidos no esquema de golpes.




