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Todas as casas de vila são interditadas em Fortaleza; moradores culpam desmatamento em área do Aeroporto

Moradores relatam destruição, rachaduras e risco de novos colapsos após forte enxurrada na Travessa Brasília

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15 de abril de 2026
Paulo Martins

Todas as casas da Travessa Brasília, em Fortaleza, foram interditadas após um forte alagamento que provocou desabamento, abertura de crateras no solo, rachaduras em imóveis e perda total de bens de moradores. A decisão ocorreu após a área ser atingida por uma enxurrada de grande volume, que também afetou ruas próximas e estruturas no entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Todas as casas de vila são interditadas em Fortaleza; moradores culpam desmatamento em área do Aeroporto
Foto: Reprodução

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Na região, máquinas foram utilizadas para retirada de móveis e eletrodomésticos danificados pela água e pela lama. Moradores relatam que o alagamento teve intensidade superior a ocorrências anteriores, causando pânico durante a madrugada. Em uma das residências, o piso cedeu enquanto uma mulher grávida estava no local, segundo relatos da comunidade.

Casas interditadas após alagamento em área próxima ao aeroporto

Com a interdição total das casas, moradores precisaram deixar suas residências devido ao risco estrutural. Além das moradias, uma transportadora localizada na área informou a perda de 18 veículos após a inundação. Ruas da comunidade também foram tomadas pela lama e apresentam danos visíveis.

O episódio também foi marcado pelo desabamento parcial de um muro próximo ao Aeroporto Pinto Martins, o que teria contribuído para o aumento do volume de água direcionado às áreas residenciais. Moradores afirmam que o problema estaria relacionado a intervenções e desmatamento na área onde ocorre a construção de um hub logístico.

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Casas interditadas e suspeitas sobre impactos de obras e drenagem

A comunidade aponta que alterações ambientais e obras em andamento teriam afetado o escoamento natural da água. Segundo moradores, a retirada da vegetação e intervenções no terreno teriam contribuído para o aumento da força da enxurrada, que acabou atingindo diretamente as residências.

Um professor do Laboratório de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Moro, confirmou que a área possuía vegetação e um curso d’água natural. Ele explicou que a retirada da cobertura vegetal reduz a infiltração da água no solo e aumenta o escoamento superficial, o que pode intensificar alagamentos em áreas vizinhas.

O terreno pertence à União e foi concedido para exploração de atividade logística. Desde setembro, moradores realizam protestos contra a obra. Em março, a Justiça Federal determinou a suspensão das atividades, mas a decisão foi posteriormente derrubada por instância superior.

Risco de novos desabamentos mantém moradores em alerta

Mesmo após a interdição das casas, moradores relatam preocupação com a possibilidade de novos desabamentos. Há alerta para estruturas instáveis próximas às residências, incluindo um muro encostado em imóveis e uma barragem com acúmulo de água.

A Defesa Civil e a Defensoria Pública foram acionadas para avaliar os riscos e mapear os danos na área. Uma equipe técnica esteve no local para levantamento das famílias atingidas e deve emitir relatório com diagnóstico da situação e possíveis medidas de segurança.

O caso segue em monitoramento enquanto a região permanece vulnerável devido às chuvas e à instabilidade do solo, com moradores impedidos de retornar às suas casas por tempo indeterminado.

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