O deputado federal Guilherme Boulos criticou as condições de trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos no Brasil, ao comentar a atuação de plataformas de transporte e entrega. A declaração foi dada em entrevista exclusiva desta quinta-feira (16), em Fortaleza, na qual o parlamentar discutiu propostas de regulação do setor.
Boulos afirmou que os trabalhadores assumem praticamente todos os custos da atividade, enquanto uma parte significativa do valor das corridas fica com as plataformas. Segundo ele, isso compromete a renda final dos motoristas.
“O carro é dele, ou às vezes o carro é alugado e ele tem que passar três horas no dia para pagar a locação do carro só depois que ele vai ganhar para ele”, afirma o deputado.
Ele também aponta que despesas como combustível, manutenção e riscos de acidentes recaem integralmente sobre os trabalhadores. “Se tiver manutenção do carro, é ele que paga. Se furar o pneu, é problema dele. Se tiver um acidente, problema é dele”, diz.
Críticas ao modelo de remuneração
Boulos afirma que as plataformas chegam a reter uma parte significativa das corridas. Segundo ele, em alguns casos, o trabalhador recebe menos da metade do valor pago pelo cliente.
“Às vezes o motorista dos R$ 80,00 fica com R$ 45,00, R$ 40,00, R$ 50,00”, afirma.
O deputado também critica o funcionamento das empresas, que segundo ele operam principalmente por meio de algoritmos. “A única coisa que a plataforma faz é entrar com o aplicativo, que muitas vezes não é nem o trabalhador atrás, é só o algoritmo”, diz.
Debate sobre regulação e resistência
Boulos afirma que participou de discussões sobre a regulação do trabalho por aplicativos a pedido do governo federal e que ouviu motoristas e entregadores em diferentes regiões do país. Segundo ele, houve forte influência das empresas no debate legislativo.
“Infelizmente, o poder dessas empresas é muito grande”, afirma.
Ele diz ainda que houve atuação de lobby no Congresso durante a tramitação das propostas. “Eles começaram a fazer pressão”, afirma.
Apesar disso, o deputado sustenta que o objetivo da proposta era garantir maior proteção aos trabalhadores e uma remuneração mais justa.
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