Famílias que vivem nas proximidades do açude do Jangurussu, em Fortaleza, relatam medo de um possível rompimento do reservatório após mudanças no sistema de drenagem da região. Segundo os moradores, uma obra recente teria alterado o curso natural da água, intensificando a pressão sobre a estrutura do açude. O problema vem sendo observado há mais de um mês e, de acordo com a comunidade, se agravou com o período de chuvas.
Os relatos apontam que o aterramento de uma área para a construção de um condomínio teria comprometido o escoamento da água da chuva. Com isso, a água que antes seguia um fluxo natural passou a se acumular em pontos da região e a invadir residências próximas. Os moradores afirmam que a situação se tornou recorrente após as intervenções.
Moradores relatam alagamentos
A moradora Maria Valdirene descreve a rotina de preocupação com o risco envolvendo o açude. Ela afirma que o medo é constante diante da possibilidade de um evento mais grave na região.
“Todos nós que estamos aqui na Travessa Paraisópolis, a gente está todo dia desesperado. Porque a gente não sabe o tanto de chuva que vai vir e a gente fica naquele desespero por conta do açude que pode romper a qualquer momento”, afirma Maria Valdirene.
Outra moradora relata que o problema está ligado ao bloqueio do escoamento natural da água, o que teria intensificado os alagamentos na área.
“Agora, depois, deixar aterro dessa empresa não passa. Porque a gente recebe água dessa rua aqui, da Recanto Verde, da Rua Nova… então, como foi tampado, como o aterro tá alto, aí ela acumula todo naquele lado ali”, relata a moradora.
Estrutura do açude no Jangurussu em Fortaleza
Além dos alagamentos, moradores afirmam ter percebido alterações no solo e nas estruturas das casas próximas ao açude. Em um dos relatos, uma residente diz que rachaduras surgiram após as intervenções na área e que há risco de danos maiores caso a situação avance.
“A estrutura da minha casa já está abalada… as colunas estão todas rachadas”, afirma a moradora, que também demonstra preocupação com a estabilidade da região e com possíveis deslizamentos de árvores próximas.
Segundo a comunidade, o acúmulo de água das chuvas recentes teria aumentado a pressão sobre o açude, que é considerado antigo pelos moradores. O receio é de que a estrutura não suporte o volume atual de água acumulada.
Vistoria técnica
Diante das denúncias, os moradores afirmam que já solicitaram providências aos órgãos responsáveis. Uma vistoria técnica foi realizada na área e um relatório deve indicar medidas para evitar o agravamento da situação.
Enquanto aguardam soluções, a sensação de insegurança permanece entre as famílias que vivem próximas ao açude.
“Pode ser uma tragédia anunciada… são vidas que vão ser atingidas e não há como recuperar vidas perdidas”, diz outra moradora.
Em nota, a Defesa Civil de Fortaleza informou que realizou visitas técnicas para verificar o problema e que contou com apoio de órgãos ambientais. Segundo o órgão, um relatório técnico já foi produzido e encaminhamentos foram feitos para tentar solucionar o caso.
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