QUADRA CHUVOSA

Chuva alaga casas e deixam 150 famílias indígenas Tapeba desabrigadas em Caucaia, na Grande Fortaleza

O cenário reacendeu uma antiga reivindicação: a retirada dos moradores de uma área considerada de risco e o reassentamento prometido há cerca de uma década

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21 de abril de 2026
Dayse Lima

As fortes chuvas registradas nos últimos dias em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, provocaram alagamentos na Comunidade da Ponte e atingiram diretamente famílias indígenas do povo Tapeba. Segundo moradores, cerca de 150 famílias tiveram as casas invadidas pela água, perderam móveis, eletrodomésticos, roupas e objetos pessoais. O cenário reacendeu uma antiga reivindicação: a retirada dos moradores de uma área considerada de risco e o reassentamento prometido há cerca de uma década.

Chuva alaga casas e deixam 150 famílias indígenas Tapeba desabrigadas em Caucaia, na Grande Fortaleza
Foto: Reprodução

Diante da situação, integrantes da comunidade realizaram um protesto na última segunda-feira (20), na BR-222, para chamar a atenção das autoridades e cobrar medidas urgentes. Com cartazes e pedidos de socorro, os manifestantes denunciaram que convivem há anos com enchentes recorrentes sempre que o volume de chuva aumenta na região.

De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), somente neste mês de abril já foram registrados 224,8 milímetros de chuva em Caucaia, volume grande para o período e suficiente para agravar problemas históricos de drenagem em áreas vulneráveis.

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Famílias relatam perdas e medo dentro de casa

Na Comunidade da Ponte, o avanço da água trouxe prejuízos materiais e também insegurança. Moradores relatam que muitos precisaram improvisar abrigos para proteger crianças e idosos. Em algumas residências, colchões, alimentos e utensílios ficaram submersos.

Além disso, a presença de animais peçonhentos dentro das casas aumentou após os alagamentos. Cobras, escorpiões e insetos foram vistos por moradores, elevando o temor entre as famílias. Para quem vive no local, a cada nova chuva cresce a incerteza sobre onde dormir e como preservar o pouco que restou.

Lideranças Tapeba afirmam que a comunidade enfrenta dificuldades históricas ligadas à infraestrutura precária, ausência de saneamento adequado e vulnerabilidade social. Segundo eles, a atual emergência apenas expõe um problema antigo que ainda não teve solução definitiva.

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Governo marca reunião e comunidade espera respostas

Em nota, o Governo do Ceará informou que agendou para esta quarta-feira (22) uma reunião com lideranças do povo Tapeba que vivem às margens do Rio Ceará, na Comunidade da Ponte. O objetivo é discutir encaminhamentos relacionados à situação das famílias afetadas.

O Estado destacou ainda que existe um grupo de trabalho com reuniões periódicas para avançar no projeto de reassentamento. A iniciativa faz parte de um acordo firmado em 2016 entre o Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepin) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Segundo o governo estadual, a etapa de demarcação física do território já foi concluída. Apesar disso, moradores afirmam que a demora para execução das próximas fases prolonga o sofrimento das famílias.

A comunidade também relata expectativa por um posicionamento da Funai diante da situação emergencial atual. Enquanto aguardam respostas, os indígenas Tapeba tentam reconstruir o que perderam e torcem para que a próxima chuva não traga novos danos.

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