O governo federal prepara uma ampliação do Desenrola Brasil 2.0 que pode incluir milhões de trabalhadores informais em todo o país. A proposta em estudo prevê a criação de mecanismos para permitir que autônomos, microempreendedores individuais (MEIs), motoristas de aplicativo e outros profissionais sem vínculo formal de emprego tenham acesso à renegociação de dívidas e a linhas de crédito com condições mais favoráveis.
A nova frente do programa foi confirmada em informações divulgadas pela Agência Brasil nesta quarta-feira (6) e marca uma mudança importante no perfil do Desenrola, que inicialmente era voltado principalmente para consumidores negativados.
Com a possível ampliação, o governo quer alcançar um público que hoje enfrenta dificuldades para conseguir crédito mais barato justamente pela ausência de carteira assinada ou comprovação tradicional de renda.
Desenrola 2.0: Governo quer ampliar acesso ao crédito para trabalhadores informais
A equipe econômica avalia que milhões de brasileiros trabalham de forma informal ou possuem renda variável, mas continuam fora de programas de renegociação mais amplos oferecidos pelo sistema financeiro.
Entre os grupos que podem ser beneficiados estão:
- motoristas de aplicativo;
- entregadores;
- ambulantes;
- vendedores autônomos;
- trabalhadores sem carteira assinada;
- microempreendedores individuais (MEIs);
- pequenos empreendedores.
Segundo integrantes do governo, a ideia é criar critérios que permitam analisar movimentação financeira, histórico bancário e fluxo de pagamentos, sem depender exclusivamente do modelo tradicional de comprovação salarial.
A medida é vista como uma tentativa de ampliar a inclusão financeira e reduzir a dependência de linhas de crédito com juros elevados.
Trabalhadores informais enfrentam mais dificuldade no crédito
Hoje, trabalhadores informais frequentemente encontram obstáculos para acessar financiamentos, empréstimos e renegociações com condições consideradas mais acessíveis.
Mesmo quando mantêm renda regular, muitos acabam classificados como clientes de maior risco pelas instituições financeiras.
Na prática, isso faz com que parte dessa população recorra:
- ao rotativo do cartão de crédito;
- ao cheque especial;
- a empréstimos com juros elevados;
- a modalidades menos vantajosas de financiamento.
O governo avalia que o novo Desenrola pode funcionar como uma ferramenta para reorganizar essas dívidas e facilitar o acesso a crédito mais barato.
Desenrola Brasil 2.0: MEIs podem ser incluídos na nova fase
Os microempreendedores individuais aparecem entre os principais grupos cotados para entrar no novo modelo do programa.
Nos últimos anos, o número de MEIs cresceu fortemente no Brasil, impulsionado pelo avanço do trabalho autônomo e da economia digital.
Apesar disso, muitos pequenos empreendedores relatam dificuldade para conseguir crédito com juros menores, especialmente em momentos de queda de renda ou aumento das despesas.
A inclusão desse grupo no Desenrola 2.0 é considerada estratégica pelo governo por causa do potencial impacto econômico e do grande número de trabalhadores nessa categoria.
Governo também estuda incluir adimplentes
Além dos trabalhadores informais, o governo federal também avalia permitir a participação de pessoas que estão com o nome limpo, mas enfrentam dificuldades por causa dos juros altos.
A ideia é ampliar o alcance do programa para consumidores que conseguem manter as contas em dia, mas convivem com dívidas caras no cartão de crédito, empréstimos e financiamentos.
Com isso, o Desenrola deixaria de focar apenas em inadimplentes e passaria a atuar de forma mais ampla na reorganização financeira das famílias brasileiras.
Regras oficiais ainda serão divulgadas
As regras finais da nova etapa do Desenrola 2.0 ainda não foram anunciadas oficialmente pelo governo federal.
Ainda não há definição sobre:
- data de lançamento;
- bancos participantes;
- limite de renda;
- modalidades de dívida incluídas;
- critérios para trabalhadores informais;
- funcionamento da adesão.
A expectativa é de que novas informações sejam divulgadas nas próximas semanas.
Nova fase pode ampliar alcance do Desenrola
Especialistas avaliam que a inclusão dos trabalhadores informais pode aumentar significativamente o alcance do programa em 2026.
Isso porque milhões de brasileiros hoje atuam fora do mercado formal, mas mantêm movimentação financeira ativa e enfrentam dificuldades para acessar crédito mais barato.
A nova estratégia também pode fortalecer o consumo e estimular pequenos negócios, principalmente entre autônomos e microempreendedores.
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