O hantavírus, associado a roedores, até pouco tempo visto como raro, voltou a ganhar destaque mundial após relatos de mortes em um cruzeiro no Oceano Atlântico, mesmo sem que parte considerável da população saiba o que é. O caso pegou governos e organismos de saúde de alerta, mas especialistas reforçam que o risco para a população geral continua considerado baixo, desde que se respeitem as medidas de prevenção básicas.
O que é o hantavírus?
O termo “hantavírus” designa um grupo de vírus do gênero Orthohantavirus, pertencentes à família Hantaviridae, que circulam em dezenas de países e são transmitidos principalmente por roedores silvestres. No Brasil e em outras partes das Américas, a forma mais comum da doença é a chamada Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), doença aguda e grave, em que o vírus pode levar a comprometimento rápido de pulmões e coração.
Hantavírus não são novos, mas certas cepas, como a denominada Andes, chamaram atenção recentemente por terem potencial de transmissão entre humanos em contextos muito específicos, o que explica a preocupação em surtos a bordo de navios.
Como o vírus se espalha
O principal modo de transmissão é pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados, principalmente quando essas secreções são pulverizadas no ar, por exemplo ao varrer ou mexer em locais sujos. As pessoas costumam contrair o vírus ao inalarem partículas contaminadas, sobretudo em casas, armazéns, galpões ou áreas rurais mal ventiladas e com presença de ratos.
Em situações excepcionais, como no caso do cruzeiro no Atlântico, a OMS investigou se uma cepa específica estaria se propagando entre passageiros, o que levou a recomendações reforçadas de vigilância sanitária em ambientes fechados com grande circulação de pessoas.
Sintomas e risco de morte
A doença costuma começar com quadro parecido com o de uma gripe “forte”: febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e, às vezes, diarreia ou dor abdominal. Em alguns dias, surgem tosse, falta de ar intensa e acúmulo de líquido nos pulmões, exigindo internação imediata em unidade de terapia intensiva.
A hantavirose é considerada doença grave, com evolução rápida: em até 72 horas pode levar a insuficiência respiratória e óbito, sobretudo quando o atendimento hospitalar é tardio ou quando há comorbidades como doenças cardiovasculares.
Casos recentes e cenário no Brasil
No Brasil, a hantavirose segue como uma doença rara, com poucos registros por ano, mas monitorada com notificação obrigatória imediata. Estados como o Paraná, por exemplo, tiveram apenas um caso em 2025 e dois confirmados em 2026, todos em municípios do interior, com dezenas de notificações descartadas ou ainda em investigação.
Ainda assim, o alerta internacional gerado pelo surto em um cruzeiro – com ao menos três mortes ligadas a suspeita de hantavírus – fez autoridades brasileiras reforçarem a vigilância, especialmente em áreas de maior presença de roedores e em operações de turismo e transporte coletivo.
Como se prevenir do hantavírus
Especialistas destacam que a prevenção passa, sobretudo, por evitar o contato com roedores e suas excreções. Entre as recomendações estão vedar frestas em casas, armazenar alimentos em recipientes fechados, evitar acúmulo de lixo e entulho em quintais e usar luvas e máscaras ao limpar locais suspeitos de infestação.
Em ambientes de trabalho, como galpões e zonas rurais, recomenda-se molhar o chão antes da limpeza para evitar pulverizar partículas secas e manter boa ventilação, além de buscar atendimento médico imediato sempre que aparecerem febre, dor intensa no corpo e falta de ar após possível exposição.
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