O bairro Paupina, localizado na região sul de Fortaleza, é considerado um dos mais antigos da capital cearense e mantém tradições e costumes que atravessam gerações. A região surgiu a partir de uma antiga aldeia indígena e acompanhou o crescimento da cidade ao longo dos séculos. Saiba mais sobre a região da cidade.
História e crescimento
Atualmente, a Paupina é conhecida pelos condomínios residenciais, pelo comércio e pelas vias de acesso, como a BR-116 e a Avenida Perimetral. Apesar das mudanças urbanas, moradores antigos ainda preservam hábitos e referências históricas do bairro.
O historiador Olavo Santos afirma que a região possui um processo de ocupação mais antigo que outros bairros tradicionais da capital.
“A paupina é mais velha, mais antiga do que a Messejana. Houve realmente um processo de povoamento vagaroso, processo de povoamento que vai se passando de um século para o outro, a partir do século XVII, século XVIII, século XIX. E aí nós temos esse crescimento da Paupina e o crescimento do Barroso e o crescimento da Grande Messejana, como se costuma hoje falar”, disse ele ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Segundo historiadores, uma das versões mais conhecidas para a origem do nome do bairro está ligada ao padre jesuíta Francisco Pinto. De acordo com relatos históricos, indígenas da região chamavam o religioso de “Pai Pinto”. Com o passar do tempo e as transformações da linguagem, a expressão teria dado origem ao nome Paupina.
“Os índios diziam que era o Paupina, o Pai Pina, o Paupina, o Pai Pina. O padre Francisco Pinto, a palavra veio daí. Muita gente se assusta: mas por que tantas denominações? Porque nós não tínhamos uma língua formalizada, nós não tínhamos no Brasil ainda estabelecido um processo de transferência do português da Europa para cá e ao mesmo tempo fazer esse português se juntar às palavras, aos vocábulos, ao interesse do colonizador”, explicou Olavo Santos.
[caption id="attachment_643619" align="alignnone" width="576"]Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza[/caption]
Entre os símbolos tradicionais do bairro estão as tapioqueiras da Rua Barão de Aquiraz. A atividade começou na década de 1930, quando mulheres da região passaram a vender tapioca em ruas e feiras de Fortaleza. Com o tempo, o local ficou conhecido como polo das tapioqueiras.
Bairro Paupina encanta moradores em Fortaleza
O aposentado Francisco Gadelha trabalha com tapioca há mais de quatro décadas e afirma que o preparo exige prática. “Você tem que saber trabalhar com ela”, afirmou. Morador antigo da Paupina, ele também resumiu a relação com o bairro ao ser questionado sobre a região: “é o mais bom.”
Outro morador antigo, o aposentado Luiz Carlos, destacou a permanência de famílias tradicionais no bairro e o convívio entre os moradores. “Tem muita gente antiga aqui, com 80, 90, 100 anos de idade. Que mora na Paupina. Pergunta se eles querem sair? Não querem. É um ótimo canto, muita gente amiga, tem muitas pessoas boas, tem a lagoa, que é uma beleza”, relatou.
[caption id="attachment_643620" align="alignnone" width="1024"]Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza[/caption]
Já o aposentado José Matheus contou que mantém a rotina de se reunir diariamente com amigos para conversar e relembrar histórias da região. “É assim todo dia. O bairro é tranquilo, é bom. Tem uns 75 anos que eu moro aqui. E graças a Deus, de minha parte, nunca surgiu problema. Bom demais, né?”, disse.
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