Instaladas como solução emergencial para reduzir atropelamentos na BR-116, em Fortaleza, as passarelas metálicas provisórias continuam provocando medo e reclamações mais de uma década após a implantação. Moradores de bairros como Aerolândia denunciam problemas estruturais, falta de acessibilidade e sensação constante de insegurança ao atravessar a rodovia.
As estruturas foram colocadas em 2013 como alternativa temporária para melhorar a mobilidade e aumentar a segurança dos pedestres. No entanto, mais de 10 anos depois, parte das passarelas segue funcionando sem adaptações adequadas para idosos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Além do desgaste visível provocado pelo tempo, usuários relatam instabilidade nas estruturas, buracos e dificuldades diárias durante a travessia.
Moradores relatam medo ao atravessar passarelas da BR-116
Quem utiliza as passarelas da BR-116 afirma conviver diariamente com receio de acidentes. A falta de estabilidade das estruturas metálicas e o desgaste dos equipamentos aparecem entre as principais reclamações feitas pelos moradores.
A zeladora Katiana Silva critica as condições da passarela localizada na Aerolândia e afirma que a estrutura não oferece acessibilidade adequada para pessoas com dificuldade de locomoção.
Segundo ela, idosos e cadeirantes enfrentam dificuldades para subir as escadas devido à ausência de rampas apropriadas. A moradora também questiona o fato de equipamentos instalados como provisórios continuarem sendo utilizados após tantos anos.
Já a cozinheira Marta Valéria relata medo constante durante a travessia. Ela afirma que muitos pedestres precisam se segurar nos corrimãos por causa da instabilidade da estrutura e do risco de quedas.
O receio aumentou ainda mais após o registro recente de um acidente envolvendo uma mulher em uma passarela de Fortaleza, episódio que reacendeu o debate sobre as condições desses equipamentos na capital.
Estruturas provisórias seguem instaladas após mais de 10 anos
As passarelas metálicas foram implantadas inicialmente como medida emergencial enquanto obras definitivas eram aguardadas na BR-116.
O problema, segundo moradores, é que as estruturas acabaram se tornando permanentes sem receber adaptações compatíveis com o intenso fluxo de pedestres da região.
Os trechos urbanos da rodovia concentram grande circulação diária de pessoas que precisam atravessar a BR-116 para acessar bairros, pontos comerciais, escolas, serviços públicos e paradas de ônibus.
O pintor José Clenilton defende a substituição das estruturas atuais por passarelas mais modernas e seguras, semelhantes às de concreto existentes em outros pontos de Fortaleza.
A permanência dos equipamentos provisórios também levanta questionamentos sobre fiscalização, manutenção preventiva e responsabilidade pela conservação das estruturas.
Falta de acessibilidade preocupa pedestres e especialistas
Especialistas alertam que as passarelas atuais não atendem integralmente critérios básicos de acessibilidade previstos em normas técnicas brasileiras.
O engenheiro Lucas Moraes explica que estruturas destinadas à circulação de pedestres precisam seguir exigências relacionadas à segurança, conforto e mobilidade universal.
Segundo ele, a Norma Brasileira NBR 9050 estabelece parâmetros de acessibilidade em espaços públicos, incluindo presença de rampas adequadas, piso antiderrapante e corrimãos em boas condições.
No caso das passarelas da BR-116, o acesso ocorre principalmente por escadas íngremes, dificultando a circulação de idosos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
O especialista também destaca que, mesmo em estruturas com escadas, é necessário haver corrimãos duplos e equipamentos de segurança compatíveis com o uso contínuo da população.
Especialistas alertam para riscos e necessidade de manutenção
Além da falta de acessibilidade, especialistas afirmam que a ausência de manutenção adequada ao longo dos anos pode comprometer a segurança estrutural das passarelas.
Segundo Lucas Moraes, estruturas provisórias costumam ser utilizadas apenas durante períodos específicos de intervenção e precisam passar por acompanhamento técnico frequente.
Ele ressalta que órgãos responsáveis pela gestão viária devem realizar inspeções periódicas para evitar riscos aos pedestres e identificar desgastes estruturais antes que acidentes aconteçam.
Enquanto obras definitivas não são executadas, moradores seguem convivendo diariamente com insegurança na travessia da BR-116.
Para quem depende das passarelas todos os dias, o medo de novos acidentes já faz parte da rotina — e a solução que deveria ser temporária continua sendo motivo de preocupação mais de uma década depois.




