A produção artística cearense volta a ganhar espaço em um dos principais eventos de arte contemporânea do país. A Galeria Leonardo Leal participa da ArPa 2026, em São Paulo, levando ao público os trabalhos dos artistas Arrudas e Júlia Aragão no stand A4 da feira, que acontece entre os dias 27 e 31 de maio, na Mercado Livre Arena Pacaembu.
A presença da galeria reforça o avanço da cena artística do Ceará no circuito nacional de arte contemporânea, em um momento de crescimento do mercado brasileiro e maior valorização de produções ligadas à diversidade cultural do país.
Considerada uma das feiras mais relevantes do setor, a ArPa reúne galerias, colecionadores, curadores e artistas de diferentes regiões do Brasil, funcionando como vitrine para novos nomes e também para trajetórias já consolidadas no cenário artístico.
Galeria Leonardo Leal representa artistas cearenses na ArPa 2026
Os artistas escolhidos pela Galeria Leonardo Leal para a edição de 2026 apresentam pesquisas visuais distintas, mas conectadas pela forte construção simbólica e pelo diálogo contemporâneo presente em suas obras.
Arrudas, formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza (Unifor), desenvolve trabalhos em pintura acrílica, óleo, aquarela e cerâmica. Autodidata nas artes visuais, o artista constrói uma produção marcada por investigações sobre psicanálise, semiótica, gênero e sexualidade.
Suas obras já integram coleções no Ceará, em São Paulo, na Alemanha e também o acervo do Museu Nacional de Belas Artes.
Entre os destaques recentes da trajetória de Arrudas estão a participação na 22ª Unifor Plástica, em 2023, quando recebeu o prêmio Chanceler Airton Queiroz com viagem à Bienal de Veneza, além das exposições “Primeira Galeria do Mundo”, no Hub Cultural Porto Dragão, e “Novena, o sagrado e o profano”, em 2024.
Sua primeira exposição individual, intitulada Anamnese, foi realizada em 2024 na própria Galeria Leonardo Leal, com curadoria de Maria Eduarda Mota.
Quem são Arrudas e Júlia Aragão
Já Júlia Aragão desenvolve uma pesquisa centrada principalmente na pintura e na construção de um imaginário afetivo ligado à memória, às relações familiares e às narrativas íntimas.
A artista dialoga com referências do fim do século XIX, especialmente da tradição da pintura a óleo, ao mesmo tempo em que incorpora elementos da cultura popular brasileira em composições marcadas por atmosferas melancólicas, etéreas e simbólicas.
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Júlia encontrou na pintura e nos fazeres manuais uma forma de investigar tempo, matéria e afeto.
Suas obras utilizam frequentemente sobreposições de camadas, pinceladas curtas e contrastes sutis para criar profundidade visual e sensações ligadas à delicadeza e à memória.
Em 2025, a artista concluiu o programa de Desenho e Pintura da Ar.Co, em Lisboa, ampliando sua formação internacional.
ArPa 2026 amplia espaço para galerias e arte contemporânea brasileira
A participação da Galeria Leonardo Leal acontece em um momento de expansão da ArPa e fortalecimento do mercado brasileiro de arte contemporânea.
Em sua quinta edição, a feira amplia o número de galerias participantes e aposta em projetos curatoriais inéditos, consolidando-se como um dos principais espaços de circulação artística do país.
Além da presença crescente de artistas brasileiros no circuito internacional, o evento também reflete o interesse cada vez maior do mercado por produções ligadas à pluralidade cultural e às diferentes identidades regionais.
A presença de artistas nordestinos em feiras nacionais também evidencia o avanço da descentralização do circuito de arte contemporânea brasileiro, historicamente concentrado no eixo Rio-São Paulo.
Mercado de arte brasileiro vive expansão internacional
O crescimento do setor aparece também em dados recentes do mercado internacional de arte.
Segundo o relatório Art Basel & UBS Art Market Report 2026, as vendas de galerias brasileiras cresceram 21% em 2025, colocando o Brasil entre os mercados de arte mais dinâmicos do mundo.
O cenário fortalece eventos como a ArPa, que amplia a circulação de artistas brasileiros e cria novas conexões entre galerias, colecionadores e instituições culturais.
Para galerias regionais, como a Leonardo Leal, a participação em feiras desse porte representa não apenas visibilidade, mas também inserção em um circuito estratégico para expansão de mercado, internacionalização e fortalecimento da produção artística local.




