O deputado federal Mário Frias voltou ao centro das discussões envolvendo o filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada no ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de mensagens e áudios atribuídos ao parlamentar em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O conteúdo foi revelado pelo The Intercept Brasil e mostra Frias agradecendo apoio relacionado à produção cinematográfica. Em uma das mensagens enviadas por WhatsApp em dezembro de 2024, o deputado afirma que o projeto teria potencial para “mexer com o coração de muita gente” e descreve o longa como importante para o país.
As conversas ganharam repercussão porque o nome de Vorcaro, dono do Banco Master, passou a ser associado ao financiamento do filme. Reportagens recentes apontaram que o banqueiro teria participado da articulação financeira do projeto e realizado aportes milionários ligados à produção.
Áudios mostram conversas de Mário Frias sobre “Dark Horse”
Segundo o material divulgado pelo Intercept, após a troca de mensagens houve também uma ligação de voz entre Mário Frias e Daniel Vorcaro.
Em outro trecho revelado pela reportagem, o deputado descreve “Dark Horse” como um “milagre” capaz de impactar milhões de pessoas em diferentes países. Frias também afirma que o longa teria um “papel histórico imprescindível para as futuras gerações” e classificou a iniciativa como uma “questão de justiça divina”.
De acordo com os diálogos publicados, Vorcaro respondeu positivamente às mensagens enviadas pelo parlamentar.
A repercussão cresceu porque o projeto cinematográfico já vinha sendo alvo de questionamentos públicos sobre a origem dos recursos utilizados para viabilizar a produção.
Filme sobre Bolsonaro virou alvo de questionamentos sobre financiamento
“Dark Horse” entrou no centro das discussões políticas e financeiras após reportagens detalharem bastidores da captação de recursos do longa inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pelo Intercept, o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter mantido encontros com Daniel Vorcaro e reconheceu participação em negociações relacionadas ao financiamento da obra.
As reportagens também indicam que o banqueiro teria realizado aportes que chegaram a aproximadamente R$ 61 milhões antes de sua prisão.
As revelações ampliaram a pressão sobre integrantes ligados ao projeto, especialmente após o surgimento de documentos e trocas de mensagens envolvendo pessoas próximas ao ex-presidente.
Mário Frias mudou discurso sobre participação de Daniel Vorcaro
A divulgação dos áudios e mensagens gerou questionamentos porque, dias antes, Mário Frias havia declarado publicamente que a cinebiografia não teria recebido “um único centavo” de Daniel Vorcaro.
Posteriormente, o deputado alterou a versão apresentada e passou a afirmar que nem Vorcaro nem o Banco Master apareciam formalmente como investidores diretos do projeto.
Segundo a nova explicação apresentada por Frias, a relação jurídica da produção ocorreria com a empresa Entre Investimentos.
Em entrevista concedida ao jornalista Paulo Figueiredo, o parlamentar confirmou que conversou com Vorcaro sobre o filme, mas minimizou a frequência dos contatos.
Frias afirmou que os diálogos envolviam apenas atualizações sobre o andamento da produção e agradecimentos relacionados ao apoio recebido.
O deputado declarou ainda que Vorcaro dizia atuar como intermediador de investidores, e não necessariamente como financiador direto do longa.
Produção envolve aliados políticos de Jair Bolsonaro
Outra frente da controvérsia envolve a participação de aliados políticos do ex-presidente na produção executiva do filme.
Segundo documentos revelados pelo Intercept e confirmados pela TV Globo, Mário Frias e o deputado federal Eduardo Bolsonaro aparecem vinculados ao projeto como produtores executivos.
De acordo com os documentos divulgados, a função incluía participação em estratégias de financiamento, preparação de materiais para investidores e busca de recursos voltados ao mercado audiovisual.
As atividades descritas também envolviam identificação de incentivos fiscais, patrocínios, parcerias comerciais e captação financeira para viabilizar a obra.
Outro trecho das mensagens divulgadas mostra Frias compartilhando com Vorcaro conversas com o diretor Cyrus Nowrasteh, responsável pela condução do projeto cinematográfico.
Nas mensagens, o diretor menciona negociações preliminares para tentar escalar o ator Jim Caviezel para interpretar Jair Bolsonaro. Segundo o diálogo, o ator desejaria analisar o roteiro e discutir questões financeiras antes de aceitar o papel.
A repercussão do caso aumentou após a sequência de reportagens envolvendo financiamento, bastidores políticos e articulações ligadas à produção do filme. Até o momento, “Dark Horse” segue cercado por disputas narrativas e questionamentos públicos sobre sua estrutura financeira e operacional.




