Uma mulher apontada pelas autoridades como integrante da estrutura do Comando Vermelho no Ceará e ligada diretamente a Anastácio Paiva Pereira, conhecido como “Doze”, foi condenada por organização criminosa pela Justiça cearense. Segundo as investigações, ela exercia função estratégica dentro da facção e mantinha vínculos com atividades relacionadas ao tráfico de drogas coordenado pelo grupo criminoso.
Maria Lucinda Pinho de Farias foi sentenciada pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas a 9 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, em regime fechado. A decisão integra uma série de processos ligados ao avanço das investigações sobre a atuação do Comando Vermelho no Ceará.
“Doze” é investigado pelas forças de segurança como um dos principais líderes do Comando Vermelho no interior do Ceará. De acordo com apurações policiais, ele estaria escondido no Rio de Janeiro enquanto continuaria influenciando ações criminosas em municípios cearenses.
A condenação ocorre em meio ao avanço de operações voltadas ao combate às facções criminosas no estado. Nos últimos anos, investigações passaram a concentrar esforços não apenas em executores de crimes violentos, mas também em integrantes responsáveis pela logística, comunicação e sustentação financeira das organizações criminosas.
Quem é “Doze”, apontado como líder do CV no Ceará
Anastácio Paiva Pereira, conhecido pelos apelidos de “Doze”, “Paizão” e “Paulinho Maluco”, aparece em investigações policiais como um dos principais articuladores do Comando Vermelho no interior cearense.
Relatórios de inteligência apontam influência da facção em cidades como Santa Quitéria, Hidrolândia, Varjota, Reriutaba, Ipu e Guaraciaba do Norte. Segundo as investigações, o grupo disputa territórios ligados ao tráfico de drogas e mantém atuação em áreas consideradas estratégicas para expansão criminosa.
Mesmo fora do Ceará, “Doze” continuaria transmitindo ordens a integrantes da organização criminosa por meio de aplicativos de mensagens e intermediários, segundo informações apuradas pelas autoridades.
Apesar de mandados de prisão e investigações em andamento, ele segue foragido.
Investigação identificou ligação da condenada com facção criminosa
A mulher condenada foi apontada pelas investigações como integrante ativa da estrutura do grupo criminoso. Conforme a apuração, ela exerceria funções consideradas importantes para manutenção das atividades da facção. As provas utilizadas no processo foram reunidas a partir de diligências policiais, relatórios de inteligência e monitoramento realizado pelas forças de segurança.
A Justiça entendeu que os elementos apresentados eram suficientes para comprovar participação na organização criminosa. Além da condenação, testemunhas ouvidas durante as audiências relataram medo da atuação de Maria Lucinda e de outras lideranças do Comando Vermelho na região de Ipu, no interior do Ceará.
Parte dos depoimentos foi prestada sob sigilo, diante do temor de represálias ligadas à facção criminosa investigada. O nome da condenada também aparece associado a investigações sobre mortes atribuídas ao grupo criminoso, segundo informações reunidas durante o processo.
Maria Lucinda integra um grupo de 16 pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), em dezembro de 2024, por crimes relacionados a organização criminosa e tráfico de drogas. Atualmente, ela está presa na Unidade Prisional de Sobral e deverá permanecer detida após a Justiça negar o pedido para recorrer da sentença em liberdade.
Defesa afirma confiar no devido processo legal
Em nota, a defesa de Maria Lucinda afirmou que recebeu a decisão judicial “com serenidade”. A advogada criminalista Roberta Studart Guimarães Machado declarou que confia no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa.
Segundo a defesa, a acusada permaneceu à disposição da Justiça durante toda a instrução processual e colaborou com os atos necessários do processo. A advogada informou ainda que continuará adotando medidas jurídicas para garantir a correta aplicação da lei e a preservação dos direitos da cliente.
A defesa também ressaltou que casos envolvendo organizações criminosas exigem cautela e respeito ao princípio da presunção de inocência, evitando julgamentos antecipados fora do processo judicial.
Líderes do CV usam comunidades do RJ como refúgio
As investigações sobre “Doze” também reforçam um cenário já identificado por órgãos de segurança pública: lideranças do Comando Vermelho do Ceará têm utilizado comunidades do Rio de Janeiro como refúgio para escapar das forças policiais enquanto continuam comandando atividades criminosas à distância.
Além de “Doze”, autoridades apontam outros integrantes considerados de alta periculosidade escondidos em comunidades cariocas, como José Mário Pires Magalhães, conhecido como “Zé Mário” ou “ZM”, apontado como uma das principais lideranças do CV no Ceará, e Manoel Messias Domingos Neto, o “Camuflado”.
Integrantes da facção mantêm uma rotina de luxo em áreas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro e continuariam coordenando, mesmo à distância, operações ligadas ao tráfico de drogas e armas no Ceará.
Comando Vermelho ampliou atuação no interior do Ceará
Relatórios de segurança pública apontam que o Comando Vermelho ampliou presença em diferentes regiões do Ceará nos últimos anos, especialmente em municípios do interior e na Região Metropolitana de Fortaleza.
Segundo investigações, a facção passou a disputar áreas ligadas ao tráfico de drogas, rotas logísticas e territórios considerados estratégicos para movimentação criminosa.
Além do tráfico, autoridades investigam participação de integrantes em crimes como lavagem de dinheiro, homicídios, ameaças e extorsões. O avanço das facções também provocou aumento de operações policiais integradas entre forças estaduais e federais.




