O Ceará registrou 128 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes entre janeiro e março deste ano, segundo dados do Ministério Público. O número volta as atenções para a importância das ações da campanha Maio Laranja, mobilização nacional voltada à conscientização e ao combate ao abuso e à exploração sexual infantil.
Os números também apontam que, a cada dez crimes sexuais registrados no estado nos últimos dez anos, sete tiveram crianças e adolescentes como vítimas. Outro dado que chama atenção é a presença de crianças entre zero e cinco anos entre os grupos mais atingidos pela violência sexual.
Além da conscientização, a campanha busca orientar a população sobre como identificar sinais de abuso e onde procurar atendimento especializado em casos de suspeita ou confirmação de violência.
Ceará registrou 128 casos de violência sexual infantil em três meses
As ocorrências registradas pelo Ministério Público mostram que a violência sexual contra crianças e adolescentes permanece entre os principais desafios enfrentados pela rede de proteção.
Especialistas alertam que muitos casos podem ser identificados a partir de mudanças físicas e emocionais apresentadas pelas vítimas. Entre os sinais observados estão verrugas, sangramentos e lesões incompatíveis com a idade.
Também podem surgir alterações comportamentais, como isolamento, tristeza, medo, rebeldia e dificuldade de convivência social.
Especialistas alertam para sinais físicos e emocionais
A psicóloga Ester Lira, da Casa da Criança e do Adolescente do Ceará, explica que mudanças de comportamento costumam ser um dos principais indícios de violência.
“Primeiramente, a mudança de comportamento. Observar se essa criança, esse adolescente tá mais reatraído, tá apresentando, principalmente nas crianças, receio, medo, choro excessivo com algumas pessoas em específico ou com alguns locais, onde provavelmente esteja sofrendo a violência. Os adolescentes: comportamento de isolamento, comportamento de, às vezes, autolesão”, afirmou.
Segundo ela, familiares, responsáveis, professores e pessoas próximas devem estar atentos aos sinais apresentados pelas vítimas.
Casa da Criança realiza acolhimento 24 horas
No Ceará, a Casa da Criança e do Adolescente atua no acolhimento de vítimas e também de pessoas que desejam denunciar suspeitas de violência sexual contra menores de idade.
De acordo com Ester Lira, o atendimento funciona durante 24 horas e não exige encaminhamento prévio.
“A Casa da Criança funciona de portas abertas, não precisa ter encaminhamento direto para chegar até aqui. A gente funciona 24 horas no nosso atendimento do Psicossocial, que é composto por psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, é uma equipe multidisciplinar. E a gente vai fazer o acolhimento desse adulto, qualquer pessoa que tenha ciência de uma violência ou violação que esteja acontecendo contra uma criança ou uma adolescente”, explicou.
O atendimento reúne profissionais de diferentes áreas para oferecer suporte psicológico e social às vítimas e aos familiares.
Hospital Albert Sabin amplia atendimento a vítimas
O Hospital Infantil Albert Sabin é uma das referências no atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no Ceará.
Desde 2021, a unidade mantém o programa Ponto de Luz, criado para identificar possíveis casos de abuso sexual e realizar acolhimento especializado.
Segundo a pediatra Larissa Elias, o trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais.
“A gente junta a equipe quando identifica esse paciente para que tenha um atendimento com o médico, psicóloga e assistente social. E aí a gente faz esse atendimento idealmente no mesmo momento, para que a gente não precise estar questionando aquela família, aquela criança mais de uma vez”, afirmou.
Os atendimentos do programa cresceram ao longo dos últimos anos. Em cinco anos de funcionamento, os registros passaram de 74 casos no primeiro ano para 246 no ano passado.
Rede de apoio acompanha crianças e adolescentes após denúncia
Após o primeiro atendimento, as vítimas passam a ser acompanhadas por uma rede de apoio psicossocial especializada.
Larissa Elias explica que o hospital recebe crianças e adolescentes com suspeita ou confirmação de violência sexual diretamente pela emergência.
“A gente recebe via emergência esses pacientes com suspeita ou confirmação de violência sexual abaixo de 18 anos, crianças e adolescentes. A gente pode ter três principais encaminhamentos. O primeiro é por demanda espontânea, então aquela família, aquele adulto de referência, um cuidador identificou algo suspeito de confirmação e busca a nossa emergência diretamente”, destacou.
A campanha Maio Laranja segue mobilizando instituições e profissionais em todo o país para ampliar a conscientização sobre a violência sexual infantil e reforçar a importância da denúncia e da identificação precoce dos sinais de abuso.
Informações sobre ações criminosas devem ser denunciadas
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




