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HISTÓRIA DA CIDADE

Como surgiu o Dionísio Torres, bairro que abriga TVs, hospitais e prédios históricos em Fortaleza

Fundado a partir de terras adquiridas na década de 1920 pelo farmacêutico Dionísio de Oliveira Torres, o bairro se transformou em uma das áreas mais importantes de Fortaleza

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Como surgiu o Dionísio Torres, bairro que abriga TVs, hospitais e prédios históricos em Fortaleza
A caixa d'água construída para abastecer a Instância se destaca como um dos símbolos do bairro, às margens das avenidas Antônio Sales e Desembargador Moreira. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

Movimentado, cercado por hospitais, clínicas, escolas, prédios comerciais e emissoras de televisão, o bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, carrega uma história que começou há mais de 100 anos. A região surgiu a partir de um empreendimento criado pelo farmacêutico Dionísio de Oliveira Torres na década de 1920 e, ao longo do tempo, se consolidou como um dos principais polos urbanos da capital cearense.

Atualmente, o bairro concentra importantes vias da cidade, instituições públicas, empresas de comunicação e áreas residenciais. Mas antes da urbanização intensa e das avenidas movimentadas, o cenário era completamente diferente.

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Como surgiu o bairro Dionísio Torres

A origem do bairro está ligada à compra de aproximadamente 75 hectares de terra feita por Dionísio de Oliveira Torres junto à família do Barão de Aquiraz. No local, ele implantou uma granja e um grande coqueiral, que se tornou uma importante fonte de renda para o empreendedor.

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O professor de História Pery Matheus explica que o farmacêutico teve papel importante no desenvolvimento urbano da região.

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“Dionísio de Oliveira Torres foi um farmacêutico, empreendedor e, posteriormente, político de Fortaleza. Na década de 1920, ele vem para Fortaleza adquirir, da família do Barão de Aquiraz, as terras da instância Castelo, onde ele vai formar esse loteamento”, afirmou.

Segundo o historiador, o crescimento do bairro também esteve ligado à abertura das primeiras avenidas da região.

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“Vai fazendo arranjos com a Prefeitura de Fortaleza, à época, para construir as principais avenidas, como Antônio Sales, Tibúrcio Cavalcante, centralizando o seu espaço, o seu território, sua propriedade, como local de encontro entre a Messejana e Aldeota”, disse Pery Matheus.
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Hoje, as avenidas Antônio Sales e Tibúrcio Cavalcante estão entre as mais conhecidas da capital cearense e ajudam a conectar diferentes áreas da cidade.

Vila Estância Vicentina preserva memória histórica

Um dos pontos mais tradicionais do bairro é a Vila Estância Vicentina, fundada em 1938. O espaço foi criado para acolher viúvas, empregadas domésticas e famílias em situação de vulnerabilidade social.

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A vila ocupa um quarteirão inteiro e abriga atualmente 45 famílias. O local possui área comum e uma capela, mantendo características residenciais que contrastam com os prédios ao redor.

Segundo Pery Matheus, a área foi cedida pelo próprio Dionísio Torres.

“Dioniso de Oliveira Torres cede parte do seu loteamento à Sociedade Vicentina, tanto que é até hoje quem consta como proprietária do terreno, para acolher essas pessoas carentes que vinham do interior da década de 1940”, explicou.
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Moradores antigos relatam que a comunidade mantém até hoje uma convivência próxima entre as famílias.

“Todos os vizinhos aqui do entorno da vila gostam da gente. É uma comunidade muito amiga. Aqui não tem problema, não tem briga, não tem nada. É todo mundo familiar e todo mundo gosta daqui”, afirmou o eletricista Jota Queiroz.

O aposentado Galdino da Silva contou que chegou ao local ainda criança.

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“Eu vivi nessa vida aqui de muita dificuldade, mas lutei e venci, né?”, disse.

Já a servidora pública Imaculada Freitas lembrou a trajetória da família na vila.

“Minha mãe veio pra trabalhar. E conheceu o meu pai, ele trabalhava aqui na antiga Padaria Napolitana, bem aqui do lado da vila”, relatou.
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Área está em processo de tombamento

A Vila Estância Vicentina está em processo de tombamento como patrimônio histórico de Fortaleza desde 2016. O objetivo é preservar a memória arquitetônica e social da área diante da valorização imobiliária do bairro.

“Nós temos atualmente um tombamento provisório desde 2016, por ser justamente um local muito valorizado”, explicou Pery Matheus.

O professor destacou ainda que o reconhecimento busca garantir a permanência dos moradores.

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“A gente tem aqui um local de resistência onde esse tombamento provisório garante que esses moradores vão estar aqui”, afirmou.

Bairro virou referência em comunicação e política

Além do crescimento residencial e comercial, o Dionísio Torres passou a concentrar emissoras de rádio e televisão devido à localização geográfica da região.

Segundo especialistas, o bairro está em um dos pontos mais altos de Fortaleza, o que facilitou a instalação das antenas de transmissão a partir da década de 1950.

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“Nós estamos no ponto mais alto de Fortaleza, fora as Dunas. Então é um local onde poderia se estabelecer de maneira bem clara, bem tranquila, a transmissão das primeiras emissoras”, explicou Pery Matheus.

A primeira emissora de televisão do Ceará, a TV Ceará, Canal 2, foi instalada no bairro. Atualmente, o Dionísio Torres abriga sedes de empresas de comunicação e grandes antenas que fazem parte da paisagem urbana da região.

O bairro também concentra importantes instituições públicas, como a Assembleia Legislativa do Ceará.

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Moradores acompanharam transformação da região

Quem vive há décadas no Dionísio Torres viu a região passar por mudanças profundas. O documentarista Aderbal Nogueira lembra que o bairro tinha características rurais quando sua família chegou ao local.

“Eu lembro quando a gente veio morar aqui, acontecia de entrar boi, de entrar vaca dentro de casa”, contou.

Ele também recorda que as construções ainda eram simples na época.

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“A casa meu pai ainda estava fazendo e não tinha janelas, ainda não tinha porta. Uma vez entrou uma vaca dentro da sala”, relatou.

Entre ruas movimentadas, prédios e estruturas modernas, o Dionísio Torres mantém elementos que ajudam a preservar parte da memória histórica de Fortaleza e da expansão urbana da capital cearense.


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