A Justiça do Ceará marcou para o dia 13 de agosto o júri popular de Roberto Ayrton Bezerra Ramos, acusado de atropelar e matar a bombeira civil Hanna Moreira dos Reis, de 24 anos, em Fortaleza. O caso aconteceu em junho de 2023, no bairro Varjota, e ganhou grande repercussão pela violência da ocorrência e pelas circunstâncias que antecederam o atropelamento.
Além da morte de Hanna, o namorado dela, Ângelo Mattheus, também foi atingido e ficou gravemente ferido. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), o casal estava em uma motocicleta quando foi atingido pelo carro conduzido pelo empresário após um desentendimento no trânsito.
O acusado responde pelos crimes de homicídio doloso e tentativa de homicídio doloso, ambos com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. A defesa sustenta que Roberto Ayrton estaria sendo perseguido antes do atropelamento e afirma que o veículo dele teria sido danificado durante a discussão.
A definição da data do júri representa um novo avanço no processo criminal que mobiliza familiares, amigos e pessoas que acompanharam o caso desde 2023.
Júri popular do caso Hanna Moreira será realizado em agosto
A decisão de levar Roberto Ayrton a júri popular já havia sido tomada pela Justiça em 2024, após pedido apresentado pelo Ministério Público. Agora, quase três anos depois da morte da jovem, o julgamento finalmente ganhou data.
As investigações apontam que a confusão começou nas proximidades de um shopping no bairro Papicu. Conforme a denúncia, Roberto Ayrton teria feito uma manobra considerada arriscada ao tentar desviar de uma poça de lama.
Pouco depois, já no bairro Varjota, o empresário teria jogado deliberadamente o veículo contra a motocicleta onde estavam Hanna e Ângelo. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que as vítimas foram prensadas contra carros estacionados. Segundo o Ministério Público, o acusado deixou o local sem prestar socorro.
Na época do crime, Roberto Ayrton chegou a ser preso preventivamente. Ele, porém, foi solto em dezembro de 2023 após decisão judicial que substituiu a prisão por medidas cautelares. Entre as determinações impostas pela Justiça estavam o uso de tornozeleira eletrônica, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e proibição de contato com a vítima sobrevivente.
Família de Hanna Moreira diz esperar condenação do acusado
A proximidade do julgamento reacendeu sentimentos na família da bombeira civil. A mãe de Hanna, Enilda Cunha, afirma que o período de espera foi marcado por angústia e sensação de impunidade. “A gente fica muito angustiada, muito aflita, porque o assassino tá solto. Ele só passou seis meses preso”, relata Enilda ao comentar a espera pela marcação do júri.
Apesar da dor, ela afirma enxergar o julgamento como uma possibilidade concreta de responsabilização criminal. “Hoje já é um outro sentimento. É um sentimento melhor de que a justiça vai ser feita, que estamos mais próximos”, afirma.
A data escolhida pela Justiça também possui significado emocional para os familiares por acontecer próxima ao aniversário de Hanna. “Agora estamos a um passo da justiça ser aplicada na sua plena forma. Eu tenho muita fé de que ele vai ser condenado e vai pagar pelo que fez com a minha filha”, declara a mãe da vítima.
Relembre o atropelamento que matou bombeira civil em Fortaleza
O atropelamento aconteceu na manhã de 15 de junho de 2023 e provocou forte comoção em Fortaleza. Hanna Moreira morreu ainda no local. Já Ângelo Mattheus foi socorrido em estado grave para o Instituto Doutor José Frota (IJF).
Na época, Hanna atuava como brigadista no Complexo Cultural Estação das Artes e na Pinacoteca do Ceará. Instituições culturais e colegas de trabalho lamentaram publicamente a morte da jovem. Ângelo, que sobreviveu ao atropelamento, afirma que a confirmação da data do júri trouxe mudanças emocionais para ele e para a família de Hanna.
“A expectativa tá muito alta. Pra quem sofre muito, todo dia que passa é uma demora, mas chegou o momento”, relata. O sobrevivente também relembra os registros do relacionamento guardados no celular e descreve a ausência da companheira como uma dor permanente.
“É como se você simplesmente acordasse sem o braço e não soubesse como perdeu. Quando eu vejo as fotos e tento entender o porquê, isso acalenta o coração”, afirma Ângelo. Para Enilda, o julgamento não reduz a saudade deixada pela filha, mas representa a possibilidade de encerramento de uma longa espera judicial.
“O julgamento não traz a Hanna de volta, mas traz a sensação de justiça, de que a justiça vai ser feita. E eu creio na justiça”, conclui.




