A denúncia de agressão em Camocim feita pela dentista Gabriele Pessoa revelou mais um caso grave de violência doméstica no Ceará. Em vídeos enviados ao Portal GCMais, a vítima afirma ter sido mantida em cárcere privado e brutalmente agredida pelo ex-namorado, Samuel Levi Rodrigues Saldanha, na Praia de Tatajuba, no litoral oeste do estado. O suspeito, que atua como corretor de imóveis, foi preso nesta segunda-feira (25), em Fortaleza.
Segundo o relato da dentista, o relacionamento havia terminado há cerca de um mês, após dois anos juntos. Mesmo separados, Samuel teria invadido a residência onde ela dormia durante a madrugada do dia 19 de maio.
Como aconteceu a agressão em Camocim
De acordo com a vítima, o ex-companheiro entrou no imóvel e a trancou em um quarto, onde iniciou uma sequência de agressões físicas e psicológicas.
“Vi minha vida passar diante dos meus olhos”, declarou Gabriele ao relembrar os momentos de violência.
Ela contou que outras pessoas estavam na casa e ouviram os pedidos de socorro, mas não conseguiram impedir as agressões porque o suspeito teria se trancado com ela no quarto.
Testemunhas chegaram a gravar vídeos nos quais é possível ouvir o choro da dentista pedindo para que o ex-namorado deixasse o local.
Dentista relata momentos de terror durante violência
A vítima afirmou que tentou escapar diversas vezes, mas era impedida pelo agressor.
“Todas as vezes que eu tentava fugir e correr até a porta para tentar sair dessa situação ele me puxava e me jogava no chão”, relatou.
Segundo Gabriele, as agressões também incluíram golpes na cabeça e frases em que o suspeito a culpava pelo fim do relacionamento.
Após horas de violência, Samuel teria deixado a residência. A dentista ficou com hematomas pelo corpo e procurou a polícia para denunciar o caso.
Vítima diz que sofria agressões há dois anos
A dentista afirmou que os episódios de violência não começaram na madrugada da agressão em Camocim. Segundo ela, o relacionamento foi marcado por episódios recorrentes de abuso físico e psicológico.
“Foram dois anos de relacionamento com recorrentes agressões e quando eu finalmente consegui sair do relacionamento, não satisfeito, ele ainda fez tudo aquilo. Felizmente eu consegui sair com vida”, afirmou.
O caso reacende o alerta sobre os riscos enfrentados por mulheres após o término de relacionamentos abusivos. Especialistas apontam que o período de separação costuma ser um dos momentos mais perigosos em situações envolvendo controle emocional, ameaças e histórico de violência.
Suspeito foi preso após investigação da Polícia Civil
Após a denúncia registrada pela vítima na Delegacia de Camocim, a Polícia Civil iniciou as investigações sobre o caso.
Com base nas apurações, a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva contra Samuel Levi Rodrigues Saldanha pelo crime de lesão corporal no contexto de violência doméstica.
O suspeito foi localizado e preso em Fortaleza por equipes da Delegacia de Camocim, com apoio do Núcleo Operacional do Departamento de Polícia Civil do Interior Norte.
Agora, ele permanece à disposição da Justiça.
A prisão preventiva é uma medida utilizada para evitar riscos às investigações, impedir intimidação de testemunhas e prevenir novos crimes durante o andamento do processo.
Defesa questiona prisão preventiva
A defesa de Samuel Levi, representada pelo advogado João Saldanha de Brito Júnior, irmão do investigado, afirmou ter recebido “com profunda estranheza” a decisão judicial que determinou a prisão preventiva.
Segundo nota divulgada pelos advogados, o investigado teria se colocado à disposição das autoridades no dia 22 de maio, por meio da defesa. Ainda conforme o posicionamento, o delegado responsável informou que um novo momento seria agendado para eventual depoimento.
Os advogados também alegam dificuldades de acesso aos autos do processo antes da audiência de custódia.
Outro ponto citado pela defesa envolve a saúde mental do investigado. De acordo com a nota, Samuel Levi teria recebido encaminhamento urgente para atendimento psiquiátrico um dia antes da prisão.
A defesa informou ainda que pretende adotar medidas judiciais para tentar reverter a prisão preventiva e garantir acesso integral ao processo.
Casos de violência doméstica exigem denúncia rápida
Casos de violência contra a mulher seguem mobilizando autoridades e órgãos de proteção no Ceará. Especialistas reforçam que denúncias rápidas e pedidos de medidas protetivas podem ser fundamentais para evitar agravamentos e possíveis feminicídios.
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio do Disque 180, além das delegacias especializadas e canais oficiais das forças de segurança.
O caso segue sob investigação das autoridades policiais e deve continuar tramitando na Justiça cearense.
Leia na íntegra a nota da defesa de Samuel Levi Rodrigues Saldanha
A defesa de Samuel Levi Rodrigues Saldanha, representada pelo advogado João Saldanha de Brito Júnior (OAB/CE 31.277), divulgou nota à imprensa para esclarecer pontos sobre as investigações relacionadas aos fatos ocorridos no dia 19 de maio de 2026, em uma casa de apoio destinada a profissionais da zona rural, em Camocim. Segundo a defesa, no dia 22 de maio, o advogado compareceu espontaneamente à Delegacia Municipal de Camocim para apresentar o investigado e informar que ele estava à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Ainda conforme a nota, o delegado teria informado que não seria necessário ouvi-lo naquele momento e que um novo horário seria marcado posteriormente.
A defesa afirma ter recebido com “profunda estranheza” a decretação da prisão preventiva de Samuel Levi, ocorrida no dia 25 de maio, mesmo após a demonstração de cooperação com a Justiça. Os advogados também alegam cerceamento de defesa, afirmando que, apesar das tentativas realizadas, não tiveram acesso aos autos do processo até a realização da audiência de custódia. Outro ponto destacado na nota é a situação de saúde do investigado. Conforme a defesa, Samuel Levi recebeu encaminhamento urgente para atendimento psiquiátrico no dia 24 de maio, antes da prisão, o que, segundo os advogados, indicaria a necessidade de tratamento especializado. Por fim, a defesa informou que adotará medidas judiciais para tentar reverter a prisão preventiva e garantir acesso integral ao processo, reafirmando confiança no Poder Judiciário e compromisso com o devido processo legal.




