A investigação sobre o assassinato de um idoso de 78 anos morto dentro da própria casa, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, aponta que o crime teria sido motivado por represália de integrantes de uma facção criminosa que atua na região. A vítima, identificada como José Udmar Amorim, conhecido como “Amorim”, foi executada com 18 tiros enquanto descansava em uma rede, no bairro Picuí, em setembro de 2025.
A Polícia Civil do Ceará confirmou a prisão preventiva de um homem de 20 anos investigado por participação direta no homicídio. A captura foi realizada pela 1ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Região Metropolitana de Fortaleza (DHPP-RMF). Segundo as investigações, o suspeito seria um dos executores do ataque criminoso.
O caso ganhou repercussão pela brutalidade da execução e pelas circunstâncias apontadas no inquérito policial. Conforme a apuração, o assassinato teria ligação com ameaças feitas por integrantes do Comando Vermelho (CV) após um desentendimento envolvendo grades e portões furtados de imóveis pertencentes ao idoso.
Polícia prende suspeito de participação no homicídio
O homem preso possui antecedentes por crimes contra a administração pública. Após o cumprimento do mandado judicial, ele foi levado para uma unidade policial e colocado à disposição da Justiça.
Outro suspeito já havia sido capturado anteriormente durante as investigações conduzidas pelo DHPP. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou os investigados por homicídio qualificado, organização criminosa e corrupção de menores.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado também é suspeito de ameaçar moradores e promover expulsões de famílias na comunidade do Picuí, área marcada por disputas entre facções criminosas rivais.
Crime teria começado após furto de grades e portões
As investigações apontam que, horas antes do assassinato, criminosos invadiram imóveis da região durante a madrugada e furtaram grades e portões de ferro. Entre os imóveis atingidos estavam casas desocupadas pertencentes à vítima.
Ao descobrir as invasões, José Udmar teria localizado as grades levadas pelos criminosos e recolhido o material para o imóvel onde morava, um antigo clube desativado de sua propriedade.
Pouco tempo depois, integrantes da facção foram até o local e exigiram que ele devolvesse os objetos, alegando que os materiais agora pertenciam ao chefe do grupo criminoso da região.
O idoso teria se recusado a devolver as grades, discutindo com os faccionados. Após a discussão, ele teria sido ameaçado de morte pelos criminosos, que também o acusavam de ter acionado a polícia durante as invasões da madrugada.
Idoso foi morto enquanto descansava em rede
Horas após as ameaças, criminosos invadiram o imóvel onde José Udmar vivia sozinho e efetuaram diversos disparos à queima-roupa. A vítima estava deitada em uma rede quando foi surpreendida pelos atiradores.
Na época do crime, moradores relataram ter visto um homem fugindo logo após os disparos, embora a polícia nunca tenha descartado a participação de outros envolvidos.
O local do assassinato funcionava anteriormente como um clube bastante conhecido na região do Picuí. Com o passar dos anos, o espaço deixou de operar, e o proprietário passou a morar sozinho no imóvel.
Segundo relatos de moradores, não havia sinais de arrombamento na residência, hipótese que levou os investigadores a considerar que os autores do crime conheciam a rotina da vítima ou tinham familiaridade com o espaço.
Entre os nomes citados nas investigações está Francisco Gleison dos Santos, preso por suspeita de participação direta na execução.
DHPP segue investigando participação de outros envolvidos
A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar outros possíveis participantes do homicídio. Informações que possam ajudar nas apurações podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181, da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou pelo WhatsApp (85) 3101-0181.
Também é possível entrar em contato diretamente com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa pelo telefone (85) 3101-7474. O sigilo dos denunciantes é garantido.




