Uma falha elétrica em pleno voo sobre o Oceano Índico colocou em risco uma das etapas mais desafiadoras da volta ao mundo realizada pelo piloto cearense Alexandre Frota, conhecido como Alex Bacana. Durante a travessia entre Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a Índia, a aeronave sofreu um apagão nos sistemas eletrônicos, obrigando o aviador a lidar com um cenário que quase resultou em uma declaração de emergência.
O incidente ocorreu justamente em um dos trechos mais complexos da expedição, que previa cerca de seis horas de voo sobre o mar e longe de alternativas imediatas para pouso. Além da longa travessia oceânica, a rota já apresentava dificuldades provocadas por interferências de GPS registradas em partes do Oriente Médio.
Apesar do problema, o piloto conseguiu recuperar os sistemas da aeronave e concluir o voo em segurança. A etapa acabou se tornando um dos momentos mais tensos desde a partida da expedição, iniciada em Fortaleza.
Pane elétrica coloca expedição de Alex Bacana em risco
O dia começou antes mesmo do amanhecer. Alex acordou por volta das 4h para chegar ao aeroporto e decolar antes que o calor extremo dos Emirados Árabes Unidos atingisse níveis ainda mais elevados.
Segundo o piloto, às 7h45, horário da decolagem, os termômetros já registravam aproximadamente 40 °C. O calor intenso provocava superaquecimento de equipamentos eletrônicos ainda em solo.
Durante o voo, um problema elétrico que já vinha sendo monitorado em etapas anteriores da jornada apresentou agravamento repentino.
Em determinado momento da travessia, os sistemas eletrônicos deixaram de funcionar completamente.
Monitores e equipamentos essenciais ficaram sem alimentação elétrica, criando uma situação crítica em pleno voo sobre o oceano.
Alex chegou a avaliar a possibilidade de declarar emergência e alterar a rota para pousar em Carachi, no Paquistão.
A alternativa era considerada por razões de segurança, mas também trazia preocupação devido às restrições operacionais e burocráticas que poderiam comprometer o prosseguimento da viagem.
Após diversas tentativas, o piloto conseguiu restabelecer a energia da aeronave e decidiu seguir viagem rumo à Índia.
Interferência de GPS já havia dificultado a travessia
Antes mesmo da pane elétrica, a etapa já apresentava desafios relevantes.
Logo após a decolagem, os sistemas de navegação por GPS voltaram a sofrer interferências, problema que vem sendo relatado por pilotos que operam em determinadas áreas do Oriente Médio.
Durante cerca de duas horas, Alex precisou recorrer a procedimentos alternativos e seguir orientações do controle de tráfego aéreo para manter a navegação em segurança.
A situação começou a normalizar apenas quando a aeronave se aproximou da região de Mascate, capital de Omã.
Mesmo assim, a longa travessia sobre o Oceano Índico exigiu atenção constante do piloto.
Piloto brasileiro ajuda durante momento crítico no Oceano Índico
Outro episódio marcante ocorreu quando a aeronave entrou em uma região remota onde o contato com os controladores de tráfego aéreo se tornou limitado.
Sem conseguir estabelecer comunicação pelas frequências habituais, Alex buscou auxílio em aeronaves que cruzavam a mesma área.
Foi então que conseguiu contato com uma aeronave da Qatar Airways.
Por coincidência, o comandante do voo comercial era brasileiro.
Segundo Alex Bacana, o piloto prestou apoio em um momento decisivo e ajudou a restabelecer parte das comunicações necessárias para a continuidade da viagem.
O gesto foi descrito pelo cearense como fundamental durante uma das situações mais delicadas enfrentadas desde o início da expedição.
Viagem segue rumo ao Taj Mahal após manutenção na Índia
Os desafios não terminaram com o pouso.
Ao chegar à Índia, Alex encontrou condições atmosféricas adversas, marcadas por poeira intensa e baixa visibilidade, exigindo mais uma aproximação por instrumentos.
Logo após aterrissar, iniciou uma inspeção detalhada para identificar a origem da falha elétrica.
Dois mecânicos locais participaram dos trabalhos, que incluíram a desmontagem da parte frontal da aeronave.
A manutenção começou durante a tarde e só terminou por volta das 21h.
Segundo o piloto, o defeito foi localizado e corrigido, permitindo que a aeronave voltasse a operar normalmente.
Superado o contratempo, a próxima etapa da jornada prevê um voo para Agra, cidade que abriga o Taj Mahal, um dos destinos mais aguardados da volta ao mundo.
A expedição já passou por países da América, Caribe, Ártico, Europa, África e Oriente Médio. Entre os desafios enfrentados estão temperaturas de -20 °C na Groenlândia, pousos em pistas remotas no norte do Canadá, travessias sobre o Atlântico Norte, calor superior a 50 °C na Península Arábica e, agora, uma pane elétrica em pleno Oceano Índico.
Mesmo diante dos obstáculos, Alex Bacana segue avançando rumo à Ásia e à Oceania. A previsão é percorrer cerca de 45 países antes do retorno ao Brasil, completando uma jornada que já acumula histórias de superação em alguns dos cenários mais extremos do planeta.




