Cerca de 10 famílias deixaram às pressas a comunidade do Gereba, na região do Jangurussu, em Fortaleza, após ameaças atribuídas a uma facção criminosa. Sem ter para onde ir, moradores buscaram abrigo em comunidades de Messejana carregando móveis, roupas e objetos pessoais em caminhões, carros e motocicletas. Parte dos pertences acabou espalhada pelas ruas e exposta à chuva registrada durante a madrugada na capital cearense.
O cenário foi registrado principalmente na comunidade das Castanholas, próxima à Mangueira, em Messejana, onde famílias passaram a se concentrar após saírem do Gereba. Geladeiras, colchões, guarda-roupas, botijões de gás e utensílios domésticos ficaram acumulados em calçadas, alpendres e áreas improvisadas enquanto os moradores tentavam encontrar abrigo.
Segundo relatos obtidos no local pela equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza, a expulsão ocorreu após mudanças no controle criminoso da região localizada entre os bairros Jangurussu e Passaré. Conforme as informações, uma facção criminosa do Rio de Janeiro passou a atuar no território, que antes era dominado por um grupo local.
Famílias deixaram casas às pressas no Gereba
Os moradores afirmam que tiveram pouco tempo para retirar os pertences das casas. Muitos saíram apenas com parte da mobília e roupas. Algumas famílias relataram que não conseguiram sequer retirar alimentos de dentro de casa antes da saída forçada.
Entre os desalojados há crianças e idosos. Sem estrutura adequada, parte das famílias passou a depender de parentes, amigos e conhecidos que vivem em Messejana para conseguir abrigo temporário.
Moradores evitam gravar entrevistas ou aparecer em imagens por medo de represálias. Segundo relatos, a exposição pública poderia provocar novas ameaças.
O clima na comunidade é de medo, insegurança e incerteza sobre o futuro. Muitas famílias ainda não sabem se conseguirão retornar às casas no Gereba.
Móveis ficaram espalhados pelas ruas em Messejana
Com a chegada constante de mudanças ao longo do dia, móveis e eletrodomésticos passaram a ocupar calçadas e espaços improvisados na comunidade das Castanholas.
Parte dos objetos ficou molhada após a chuva registrada durante a madrugada em Fortaleza. Moradores tentavam proteger o que restou dos pertences utilizando lonas e áreas cobertas de imóveis próximos.
Enquanto caminhões descarregavam móveis, crianças circulavam entre colchões, caixas e eletrodomésticos espalhados pelas ruas da comunidade.
Polícia reforçou patrulhamento na região
A movimentação levou a Polícia Militar do Ceará (PMCE) a intensificar o patrulhamento em Messejana para evitar novos conflitos e possíveis invasões.
Equipes do Comando Tático Motorizado (Cotam), do Comando de Policiamento de Ações Intensivas e Ostensivas (CPaio) e do 19º Batalhão da Polícia Militar realizaram rondas frequentes nas comunidades das Castanholas e da Mangueira.
A polícia informou, após o ocorrido, que quatro homens foram presos por suspeita de participação no crime. Eles seriam membros de uma facção criminosa atuante no bairro Passaré.
As prisões foram feitas por agentes da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), vinculada ao Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
As investigações iniciaram logo que os policiais civis tomaram conhecimento sobre integrantes de um grupo criminoso que estavam determinando ações criminosas na região. Após buscas, os suspeitos, com idades de 22, 29, 21 e 37 anos, foram presos.
Com eles, materiais ilícitos, veículo, cestas básicas e uma quantia em dinheiro foram apreendidos. Diante disso, o grupo foi conduzido para a sede da Draco, onde foram autuados em flagrante por integrar organização criminosa, com base na lei nº 15.358/2026 (Lei Antifacção). Em seguida, foram colocados à disposição da Justiça. As prisões preventivas dos capturados foram decretadas.
Disputa entre facções afeta comunidades de Fortaleza
Casos de expulsão de moradores têm sido registrados em diferentes áreas periféricas de Fortaleza nos últimos anos, principalmente em regiões marcadas por disputas entre grupos criminosos.
Em muitos episódios, famílias abandonam as casas após ordens impostas por facções e buscam abrigo em territórios controlados por grupos aliados ou em locais onde possuem familiares.
Moradores vivem situação de vulnerabilidade
Além da perda parcial de bens materiais, as famílias agora enfrentam dificuldades para reorganizar a rotina.
Sem moradia fixa, muitas pessoas seguem abrigadas de forma improvisada em casas de parentes e conhecidos. Há relatos de crianças passando fome e de moradores que deixaram documentos, alimentos e objetos pessoais para trás devido à saída imediata.
Enquanto a polícia mantém o reforço no patrulhamento, os moradores tentam reconstruir a rotina em meio ao medo de novos confrontos e à incerteza sobre quando poderão voltar para casa.
Informações sobre ações criminosas devem ser denunciadas
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




